Segundo recente relatório da Billboard, as vendas globais de álbuns sofreram perdas percentuais acentuadas. O vinil, particularmente, caiu 33%…
Notícias preocupantes para todos aqueles que apreciam a música na sua forma tangível: de acordo com os números da revista Billboard, as vendas de vinil sofreram uma enorme queda de 33% no último ano. As vendas de discos passaram de 34,9 milhões de unidades em 2023 para 23,3 milhões este ano. E não é só o vinil que está a sofrer. As vendas de álbuns em CD caíram 19,5% e as de álbuns digitais 8,3%. As vendas globais de álbuns desceram de 75,5 milhões de unidades no ano passado para apenas 57,5 milhões este ano.
As razões não são difíceis de explicar. O renascimento do vinil iria sempre chegar a um ponto em que o preço começaria a reduzir a procura. Para ser franco: não é barato. Se entrarem numa sucursal francesa que abunda nas superfícies comerciais deste país (e mesmo em algumas lojas especializadas) e comprarem um álbum de vinil, é improvável que consigam troco de 30 paus, na melhor das hipóteses. A maioria dos álbuns situa-se entre as 25 e os 40 euros (e se entrarmos em reedições deluxe é melhor nem falar).
Como todos sabemos, está a decorrer uma crise de custo de vida – aumento da factura do combustível, inflação, etc. – e, em tempos difíceis, os artigos de luxo são normalmente os primeiros a ser postos de lado. Infelizmente, para a maioria das pessoas, o vinil é um luxo em 2024. É a mesma razão pela qual muitos festivais estão a ter dificuldades. Os custos estão a aumentar em todos os sectores, os preços têm de subir e os clientes estão – com toda a razão – a tornar-se mais selectivos naquilo em que gastam o dinheiro do seu suor.
A grande questão é saber se se trata apenas de uma correção do mercado ou se é algo com que nos devemos preocupar mais (sendo optimistas).
No caso do vinil, há sem dúvida problemas do lado da oferta que explicam em parte o seu elevado preço. Existem apenas poucas fábricas de prensagem e, quando o hype surgiu, as maiores foram entupidas pelas major labels, quando tinham sido nichos musicais a preservar a indústria. A juntar a isso, quando se tem em conta o aumento do custo das matérias-primas e os estrangulamentos na produção devido à Covid, não é de admirar que o preço de capa dos discos tenha subido da forma que subiu. Mais fábricas fariam baixar o preço?
Voltando ao inquérito da Billboard, o único ponto positivo pode ser vislumbrado nos resultados do streaming. No ano passado, registou-se um aumento de 7% na utilização de serviços de streaming a pedido, o que sugere que os clientes não deixaram de gostar de música, estão apenas a apertar os cordões à bolsa ou, pior, passaram a tomá-la como garantida…
