Lisbon Tattoo Rock Fest

Lisbon Tattoo Rock Fest 2024

A grande cimeira nacional dedicada à contracultura e à paixão pela tatuagem. O Lisbon Tattoo Rock Fest regressa ao LAV – Lisboa Ao Vivo nos dias 4 a 6 de Outubro de 2024.

Redefinindo a sua programação uma vez mais, o Lisbon Tattoo Rock Fest, a maior convenção internacional de tatuagem em Portugal, está de regresso entre os dias 4 e 6 de Outubro de 2024, no LAV – Lisboa Ao Vivo. O festival representa um encontro mundial de profissionais e amantes da arte corporal, tendo como propósito a troca de ideias e o contacto com novas tendências e produtos da indústria da tatuagem.

Como passou a ser tradição, o festival premeia a qualidade dos trabalhos feitos no recinto pelos tatuadores presentes por via de várias categorias. Entre elas, são premiadas a melhor tatuagem de cada dia e a melhor tatuagem do evento em geral, no conjunto dos dias de convenção, prémio a ser atribuído no último dia do certame.

Surgindo com um conceito pioneiro que alia a cultura da música rock e o mundo da tatuagem, o Lisbon Tattoo Rock Fest aposta ainda na vertente musical alternativa, através de nomes reconhecidos da música nacional e internacional. Afinal, segundo a organização (Hell Xis), é importante criar diversos focos de animação e surpreender o público de forma constante. Por isso, a música ao vivo é também uma das grandes atrações do evento.

CONCERTOS

São uma das bandas pioneiras do street punk, ao lado de colossos como os Discharge e The Exploited, e vão regressar a Portugal. Os GBH já passaram no nosso país num concerto que se tornou num dos mas míticos do underground português, com actuação no antigo Absoluto no Cais do Sodré em Lisboa. Pouco depois dessa primeira visita regressaram a Lisboa, para concerto no Paradise Garage, depois no Ritz já em ’96 (talvez nos falhe a memória nestas duas últimas datas).

A 16 de Setembro de 2006, a banda de Birmingham, que apenas mantinha no line-up original de há 25 anos o frontman vocalista Colin (Col) Abrahall, promoveu o caos e a anarquia no Hard Club. A última visita ao nosso país fora já em 2013, na República da Música, em Alvalade, até que, em 2023, regressam em dose tripla. Em concertos com promoção da Hell Xis que agora os confirmou no Lisbon Tattoo Rock Fest no dia 4 de Outubro.

Inicialmente conhecidos como CHARGED G.B.H., também foram uma das primeiras bandas a adicionar uma forte influência do metal ao punk, sendo citados como influência para bandas tão aplaudidas – e bem sucedidas – como os Metallica, Sepultura ou Rancid.

A LOUD! faz uma síntese do percurso da banda. Vindos de Birmingham, deram os primeiros passos em 1978 com Colin Abrahall na voz, Colin “Jock” Blyth na guitarra, Sean McCarthy no baixo e Andrew “Wilf” Williams na bateria. Tocando música dura e rápida, e sem medo de letras rudes ou controversas, começaram por estabelecer um reputação com concertos explosivos e, em 1981, estrearam-se nas edições com o EP “Leather, Bristles, Studs And Acne”.

O álbum de estreia, “City Baby Attacked By Rats” chegou no ano seguinte e, entre acertos de formação e alguns lançamentos seminais para a fusão metalpunk, estabeleceram-se como um dos nomes mais importantes e influentes da sua geração. Em 2017, quase quatro decádas após a formação, os G.B.H. demonstraram toda a força da sua longevidade com o lançamento daquele que é, até à data, o seu mais recente álbum de estúdio, intitulado “Momentum”.

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De todos os subgéneros díspares que surgiram da instituição iconoclasta que foi o punk hardcore dos anos 80, pode não haver nenhum mais coeso internamente e reverente aos seus antepassados do que o d-beat. Pode ser estereotipado, mas também é uma fórmula que, quando executada em toda a sua plenitude, acaba por revelar-se sempre revigorante, provocativa e incrivelmente inspiradora. Os seus criadores também vão passar nos palcos do Lisbon Tattoo Rock Fest.

Chamam-se Discharge e “D-beat” é uma abreviatura de “Discharge-beat”. Veteranos do hardcore britânico, citados como influência chave por artistas como os Metallica e Anthrax, só para citar dois entre milhares (o Max Cavalera, por exemplo, também se desfaz em elogios), deram os primeiro passos em 1977 e, quando a década terminou, foram a primeira banda a assinar com a recém-formada Clay Records, que lhes editou o primeiro EP, “Realities Of War”, logo em Março de 1980.

Entre constantes mudanças de formação, os Discharge seguiram caminho com mais dois EPs, “Fight Back” e “Decontrol”, um 12″, o incontornável “Why” e, em 1981, “Never Again”, que alcançou o #64 nas tabelas de vendas do Reino Unido. Em 1982, lançaram finalmente o seu aguardado álbum de estreia, “Hear Nothing, See Nothing, Say Nothing” e, como se costuma dizer, o resto é história.

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Os Dezz Nuts foram confirmados em Junho. A lendária banda australiana sobe ao palco do Lisbon Tattoo Rock Fest no dia 5 de Outubro. JJ Peters, antigo baterista dos I Killed The Prom Queen, fundou os Dezz Nuts em 2007, tendo tirado o nome da banda de uma música de Dr. Dre. Igualmente influenciadas pelo hardcore punk e hip-hop, as letras do grupo focam-se na diversão e também no esforço, e o álbum de estreia da banda, “Stay True”, de 2008, teve como grande destaque uma adequada versão de “Fight for Your Right”, dos Beastie Boys.

A banda passou grande parte de 2008 em digressão pela Austrália e pela Europa, e o seu segundo LP, “This One’s For You”, só surgiu em 2010. O terceiro álbum, intitulado “Bout It”, foi lançado em 2013 e contando com várias participações especiais vindas da cena hardcore, incluindo membros dos Madball, Architects e Suicide Silence. Sempre em velocidade de cruzeiro, seguiram-se “Word Is Bond” (2015), “Binge & Purgatory” (2017) e o mais recente “You Got Me Fucked Up” (2019).

A fusão de hardcore e hip hop da banda de Melbourne servirá de ponte entre guitarras fogosas e os versos não menos abrasivos de dois dos maiores nomes do rap português, que estarão em palco uma vez mais em colaboração, Mundo Segundo & Sam The Kid.

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A parceria vem de longe e moldou-se em palco. O norte e o sul. O Alfa e o Omega. O homem do segundo piso e o miúdo do sétimo céu. Um de Gaia e outro de Chelas. No meio dos dois, uma história longa de dedicação à causa das rimas e das batidas ao ponto de ambos serem sinónimos de hip hop.

Mundo é o homem do leme do colectivo Dealema, um dos mais empenhados membros do movimento que se espalhou do Sul para Norte e que se tornou língua franca nas ruas. Com o seu grupo de sempre gravou algumas das mais preciosas peças do puzzle hip hop nacional, incluindo o muito aplaudido “Alvorada da Alma”. E paralelamente a essa rica história de quase duas décadas, foi assinando mixtapes e trabalhos colaborativos (Terrorismo Sónico) que lhe garantem uma das mais sólidas e expansivas discografias de hip hop nacionais.

E depois há Sam The Kid, praticamente um sinónimo de hip hop, certamente um dos mais fortes símbolos que esta cultura gerou entre nós. Insuperável na arte das rimas, como “Entretanto ou Sobretudo”, verdadeiros clássicos, provam para lá de qualquer dúvida, Samuel Mira também fez escola na MPC. “Beats Vol. 1: Amor” é um clássico maior da música portuguesa mais moderna. E depois, o seu trabalho com os incríveis Orelha Negra, já espelhado em dois grandes álbuns e nas respectivas imagens no espelho que são as mixtapes que daí nasceram.

Juntá-los num álbum é como ter Jimi Hendrix e Jimmy Page no mesmo disco, Marvin Gaye e Curtis Mayfield, Carlos Paredes e Amália… Estas comparações só parecerão exageradas a quem nunca tenha testemunhado a química pura que os dois emanam em palco e a magia que são capazes de gerar em estúdio. Foi em 2019 que pudemos descobri-la, com o álbum “Gaia/Chelas” que inclui singles como “Tu não sabes”, “Também faz parte” e “Brasa”, por exemplo, que traz Zacky Man dos Supa Squad na voz e o lendário produtor americano Marco Polo (que coleciona colaborações com nomes da nata americana como Talib Kweli, Masta Ace ou DJ Premier).

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Me And That Man, projecto dark folk/blues liderado por Adam “Nergal” Darski, dos extremistas polacos Behemoth, foi confirmado já nos últimos dias de Julho no Lisbon Tattoo Rock Fest e é a primeira banda em cartaz no segundo dia do evento. Criado em 2013 como fonte de alívio emocional para Nergal, o projecto afirmou-se desde cedo como o veículo perfeito para o multifacetado músico polaco expressar pensamentos e sentimentos que não conseguia encaixar no universo na música extrema em que se move habitualmente.

Incapaz de realizar o projecto sozinho, recrutou o músico John Porter para criar o som que procurava e, adoptando um som distinto de tudo o que tinha feito até então, apostando numa estética enraizada no rock ’n’ roll de contornos mais obscuros, a colaboração resultou no álbum de estreia “Songs Of Love And Death”, editado em 2017.

Três anos depois, já sem Porter a bordo, o grupo regressou com um segundo disco, “New Man, New Songs, Same Shit, Vol. 1”, que incluiu colaborações de enorme sucesso com Corey Taylor e Matt Heafy, entre muitos outros. Um segundo volume de “New Man, New Songs, Same Shit” foi lançado em 2021.

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A grande novidade de 2023 foi um dia extra, mas este ano o Lisbon Tattoo Rock Fest regressa aos seus habituais 3. Vale a pena seguir as redes sociais do evento, onde brevemente começarão a ser anunciados os tatuadores que estarão presentes em Lisboa (as inscrições para tatuadores também serão abertas em breve). Também aí serão expostas todas as informações sobre o funcionamento do Lisbon Tattoo Rock Fest 2024.

Os bilhetes para os concertos dão acesso à convenção diária de tatuagens. Podem carregar na hiperligação do Lisbon Tattoo Rock Fest, para aceder à bilheteira online e a outras informações sobre o festival. Foto de capa @rhodesbby

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