Mars Picks

Mars Picks, As Palhetas Portuguesas de Sustentabilidade Ambiental

Produzir palhetas para instrumentos de cordas, com responsabilidade social e ambiental, é um dos principais objetivos do projecto Mars Picks, desenvolvido por uma equipa de cinco investigadores da Escola de Engenharia da Universidade do Minho.

A Mars Picks desenvolve, nas suas palavras, produtos moldados por injecção direccionados para o mercado da música com qualidade e preços competitivos. No seu domínio cibernético, a empresa boutique nacional afirma-se «à frente no tempo, quer no design, quer nos materiais, sem esquecer as responsabilidades sociais e ambientais». Precisamente, as palhetas são produzidas em vários polímeros, em função do tipo de instrumento musical, com uma vantagem competitiva, a componente ergonómica e a novidade de um biopolímero. Na sala de exposições do CCOP, no final de 2019, conversámos com um dos investigadores e responsáveis pelo projecto.

Vitor Silva estudou Engenharia de Polímeros, na Universidade do Minho, e teve a música como uma constante desde os seus dez anos de idade. Ao fim de dez anos após ter encerrado o seu ciclo académico, conseguiu conciliar ambos os universos, através das Mars Picks. «Apresentei o projecto a um antigo professor universitário que o achou bastante interessante e criámos uma parceria bastante produtiva. Foram quatro anos de pesquisa, tempo passado a tentar perceber os materiais, as formas (as quatro formas que idealizámos) até ter chegado ao mercado em Abril de 2019».

Simplificando, a palavra polímeros vem do grego poli (muitos) e meros (partes). Portanto, as macromoléculas desses compostos originam-se através da ligação de várias unidades de moléculas pequenas, denominadas monómeros. Os materiais, para já, são mantidos em segredo pelos investigadores, afinal, a alma do negócio.

De resto, criar a combinação ideal para as Mars Picks foi um processo de avanços e recuos. «Aconteceu haver materiais que pensávamos ir resultar e revelaram-se um desastre. Materiais que pensámos ser interessantes, por serem um produto resistente noutras áreas, mas depois, na prática, a testar na corda a parte da abrasão, principalmente numa corda de aço, vimos que tinham um desgaste absurdo, que não funcionava. Mas um dos truques, mais que os materiais, é a forma como são processados. Todas as variantes que conseguimos controlar são fundamentais para que o material acabe bem compactado e o produto seja o ideal».

O design da maioria dos modelos é outra das características muito interessantes das Mars Picks, visando a maior utilidade e versatilidade possíveis. «Criámos uma palheta um pouco mais comum, com um ponto de ataque, mas a questão foi aproveitar o centro no apoio dos dedos e fazer com que, sem estarmos a olhar, a palheta, de uma forma natural, esteja sempre numa posição correcta para tocar. Então, daí surgiu a necessidade de ter mais pontos de ataque para a corda. Outra característica neste tipo de palheta é que, muitas vezes até tocamos com esta zona (mais rasa), para determinados ritmos torna-se interessante», afirma Vitor, rindo perante a acusação do design ser mais aproximado ao tradicional formato das palhetas para baixistas, ele que toca guitarra.

O design e a produção são próprios da Mars Picks. Tudo fabricado em Portugal. «A palheta foi criada do zero, desde toda a parte de design até estar em frente a uma máquina a produzi-la a uns 300 ou 330 graus de temperatura».

É aqui que a Universidade do Minho assume papel determinante na produção das Mars Picks, pois, se já se estão a imaginar o Walter White das palhetas, este processo não é propriamente replicável numa linha de montagem “caseira”. «O investimento ainda é grande, a nível de máquinas e estufas, porque temos que secar a matéria-prima. Sem o apoio de uma Universidade, por exemplo, que já tem essa estrutura, era muito complicado. Daí não existirem ainda muitas empresas a fazer isto no nível que estamos a fazer, estamos no início, porque isto é um investimento considerável».

Temos materiais que, a nível de matéria-prima, são o mais caro que existe no mercado e não hesitámos em usá-los, porque o produto final justifica esse investimento.

Vitor Silva, Mars Picks

O apoio da Universidade ao projecto Mars Picks favorece também o destinatário final, o músico, pois permite «que o preço/qualidade seja o melhor possível e, no entanto, temos materiais que, a nível de matéria-prima, são o mais caro que existe no mercado e não hesitámos em usá-los, porque o produto final justifica esse investimento. É um produto que faz a diferença».

A grande inovação deste projecto é a produção de palhetas com sustentabilidade ecológica, através da criação de um biopolímero, que outras marcas ainda não têm. A matéria-prima principal para a manufactura das Mars Picks é uma fonte de carbono renovável, geralmente um hidrato de carbono derivado de plantações comerciais de larga escala como cana-de-açúcar, milho, batata, trigo e beterraba; ou óleo vegetal extraído de soja, girassol, palma ou outra planta oleaginosa. Uma grande conquista.

A nossa pergunta, é a que todos têm na cabeça e todos colocam: tratando-se de um produto biodegradável, quanto tempo demora a sua decomposição? Pode demorar entre dois e seis meses, depende das condições a que a palheta é sujeita. Vitor Silva exemplifica: «Se a perdermos num recinto fechado, por exemplo, demora esses seis meses a degradar. É uma característica que tem mais que ver com o material, com o biopolímero que se degrada de forma natural. Importa realçar que só se vai degradar quando a perdemos ou abandonamos, quando fica exposta a humidade, aos raios UV. Acaba por desfazer-se».

Qualquer músico que use palhetas sabe que passar a vida a perdê-las é uma inevitabilidade, mesmo usando alguns acessórios que atenuam essa sina. Se a vossa consciência ecológica não vos deixava dormir, as Mars Picks são uma vereda que se abre na resolução desse problema e sem qualquer prejuízo para a vossa dinâmica musical. «Como palheta», garante o engenheiro, «funciona exactamente como a nossa palheta mais cara. Tem menos resistência que a topo de gama, mas a mesma resistência dos outros modelos». Vejamos os modelos Mars Picks, além desta “bio palheta”…

A palheta já referida e mais comum, é a Tharsis, em honra à região vulcânica de Marte. O nome Tharsis vem da Bíblia, designando a extremidade mais ocidental das terras no mundo conhecido. É uma palheta em forma de escudo, que permite uma abordagem generalizada sobre a formação das cordas. Palheta que permite uma favorável alternância dedos/palheta.

Depois surgem as palhetas mais diferenciadas. A Fobos, maior lua de Marte e a que se encontra mais próxima. Filho de Ares e Afrodite segundo a mitologia grega e representa o medo. Palheta “encorpada” para um ataque a cordas com maior espaçamento.

Deimos, menor lua de Marte e a que se encontra a uma maior distância do planeta, é também a menor lua que se conhece no sistema solar. Deimos deriva da mitologia grega, é um dos três filhos de Ares. Palheta com menor corpo, que permite um ataque mais objectivo para uma formação com menor espaçamento de cordas.

Tripod, é o nome dado às máquinas extraterrestres fictícias oriundas do Planeta Marte no livro Guerra dos Mundos de H.G. Wells. Palheta muito incisiva sobre formações de cordas com pouco espaçamento entre elas. Palheta que favorece o ataque corda a corda.

Os diferentes modelos partilham a mesma espessura, garantido familiaridade e conforto. A diferenciação surge através de diferentes flexibilidades. É dessa forma que as Mars Picks jogam com os tons. «Por exemplo, uma palheta mais macia simula quase a nossa carne a entrar nas cordas e vai ter um output mais baixinho, mais suave, não vamos sentir tanto o ataque da palheta, ao contrário das mais duras que apresentam uma dinâmica muito forte, um som talvez mais brilhante e ouvimos mais esse ataque ao bater na corda. Mas é uma viagem, é uma questão de experimentar todos estes materiais. Afinal, só ao fim deste caminho de quatro anos [agora cinco] é que começamos a perceber de quais são as diferenças entre os materiais e qual a sua influência no instrumento», despede-se Vitor Silva.

A primeira bandeira no Planeta Vermelho, no mercado das palhetas, é portuguesa! Visitem o site oficial da Mars Picks para mais informação.

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