MASACRE

MASACRE, Concerto Histórico no Porto

Uma das forças fundadoras do death metal colombiano, os MASACRE visitam Portugal pela primeira vez num concerto que será gravado para posterior edição. Repugnator e Fernando Ribeiro (Moonspell) reforçam o cartaz, no M.Ou.Co.

O death metal latino-americano não surgiu como extensão periférica das escolas norte-americana ou europeia, mas como uma reinterpretação autónoma de um género em formação. Durante o final dos anos 80 e início dos 90, enquanto Tampa e Estocolmo consolidavam os seus próprios cânones, várias cenas na América Latina — particularmente no Brasil, Chile, México e Colômbia — começaram a desenvolver abordagens marcadas tanto pela escassez de recursos como pela intensidade cultural dos seus contextos urbanos.

Nesse mapa fragmentado, a Colômbia ocupa um lugar singular. A cena extrema emergiu num ambiente de instabilidade social e violência estrutural (podem ver uma famosa série da Netflix para o perceber), mas também de circulação limitada de informação e gravações, o que resultou numa estética menos “codificada” e mais híbrida. O death metal colombiano dessa fase inicial não se organiza apenas em torno de velocidade ou técnica, mas de atmosfera, densidade e uma relação quase simbólica com o peso sonoro.

É neste contexto que surgem os MASACRE, formados em Medellín em 1988. Ao contrário de outras formações latino-americanas que rapidamente se alinharam com modelos estrangeiros mais definidos, os MASACRE desenvolveram uma identidade que permaneceu relativamente independente dessas ortodoxias. A sua música reflecte essa posição: um death metal estruturado, mas com uma dimensão ritual e quase xamânica, onde a agressividade não é apenas física, mas também espacial e narrativa.

Ao longo da sua discografia, e em particular nos álbuns Reqviem e Sacro, os MASACRE cristalizaram uma linguagem própria dentro do género. Não se trata de inovação no sentido tecnológico ou formal, mas de persistência estilística num território onde muitas bandas desapareceram, mudaram de identidade ou migraram para outras linguagens. Essa continuidade é, em si, um dos elementos mais relevantes da sua posição histórica

Se o death metal dos anos 90 se tornou rapidamente codificado — seja na precisão sueca ou na complexidade técnica norte-americana —, a América Latina manteve durante mais tempo uma margem de indeterminação estética. Os MASACRE são parte dessa margem: uma banda que não serve como réplica nem como derivação, mas como expressão localizada de um género global em expansão. Uma banda que manteve sempre acutilância social, desde as suas origens, quando plasmava liricamente o sofrimento provocado pela violência do narcotráfico.

A estreia dos MASACRE em Portugal, a 23 de Julho de 2026, no JAM – M.Ou.Co., no Porto, deve ser lida dentro dessa lógica de deslocamento temporal. Não se trata apenas da chegada tardia de uma banda a um novo país, mas da reactivação de um circuito histórico que durante décadas operou fora dos centros mais visíveis do metal extremo.

O concerto, que será registado (presumivelmente por Jaime Gomez Arellano) e filmado para edição oficial, acrescenta ainda uma camada de fixação documental a um acontecimento que, por natureza, pertence ao domínio do efémero. O alinhamento focado, precisamente, em Reqviem e Sacro reforça essa leitura histórica, sublinhando a fase em que os MASACRE consolidaram a sua identidade mais reconhecível dentro do death metal latino-americano.

A presença dos REPUGNATOR e de Fernando Ribeiro (Moonspell), num DJ set, completa o enquadramento local, mas não altera a natureza essencial do evento: a de um encontro entre temporalidades distintas dentro do mesmo espectro extremo. O espaço abre portas às 17:00, com acesso à área exterior, transformando o evento num encontro prolongado de música, convívio e cultura underground antes do início do concerto principal. Podem fazer parte desta data histórica através da bilheteira Masqueticket (abre link). Os primeiros 100 bilhetes valem €18. O preço geral é €23.

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