Os NEMUER aliaram-se a Karl Sanders (Nile) no místico single “She Who Breathes Life”. Uma imersão no Antigo Egipto com instrumentos ancestrais e letras cantadas na língua dos Faraós.
O projecto checo de dark pagan folk, NEMUER, lançou em Fevereiro de 2026 uma das composições mais ambiciosas e historicamente ricas da música ritualística contemporânea. O tema, intitulado “She Who Breathes Life”, conta com a participação especial de Karl Sanders, o lendário guitarrista, vocalista e mente criativa por trás dos titãs do death metal técnico de temática egípcia, Nile. Mais do que uma simples colaboração musical, a malha é uma autêntica viagem arqueológica e espiritual no tempo.
O tema destaca-se pela sua instrumentação meticulosa e pelo uso de artefactos sonoros raros. Para recriar a atmosfera mística do Antigo Egipto, os NEMUER incorporaram instrumentos ancestrais como o sistro, o tambor de moldura (frame drum), o alaúde (oud) e o saltério martelado (hammered dulcimer). No entanto, a grande relíquia sonora da gravação é a utilização de uma réplica exacta da trombeta de prata encontrada no túmulo do próprio Faraó Tutankhamon, descoberta pelo arqueólogo Howard Carter em 1922.
A obsessão pelo detalhe histórico estende-se à lírica da canção. As letras de “She Who Breathes Life” foram retiradas directamente de um feitiço do Livro dos Mortos, que se encontra inscrito na parte posterior da icónica máscara mortuária de ouro de Tutankhamon. Para garantir o rigor absoluto, a malha é cantada inteiramente em Egípcio Antigo, utilizando uma pronúncia reconstruída especificamente para o projecto pelo conceituado egiptólogo Dr. Christian de Vartavan.
Michael Zann, o fundador e compositor dos NEMUER, partilhou a sua visão sobre o profundo significado existencial por trás deste lançamento: «Mais cedo ou mais tarde, todos nós precisaremos da protecção da deusa Aset [Ísis], e ‘She Who Breathes Life’ lembra-nos da nossa mortalidade, o que é algo positivo. Nós tememos a morte da mesma forma que os antigos egípcios temiam, mas, muitas vezes, aquilo de que realmente temos medo é de uma vida não vivida. Trabalhar com o Karl para criar algo tão intenso e antigo foi como canalizar algo que esteve milhares de anos à espera de ser ouvido novamente».
Para Karl Sanders, cujo trabalho de uma vida com os Nile e no seu projecto a solo acústico sempre orbitou na egiptologia, a fusão com o projecto checo surgiu de forma totalmente orgânica: «Sinto uma forte ressonância intuitiva com a música dos NEMUER, por isso fiquei muito grato por participar nesta faixa. Adoro a sua magia hipnótica!»
O resultado final desta união é uma peça sónica avassaladora, onde o peso não se mede por guitarras distorcidas, mas sim pela densidade histórica, espiritualidade pagã e pelo misticismo de uma civilização que, através da música dos NEMUER e de Sanders, volta a respirar vida em pleno século XXI.



