Stygian Bough

Stygian Bough Xamânicos na KEXP 2026

A beleza espectral do doom metal e do dark dolk uniu-se na KEXP. Assiste à hipnótica actuação dos Stygian Bough em Seattle, onde o trio composto pelos Bell Witch e Aerial Ruin apresenta em live take os temas “From Dominion” e “King Of The Wood”.

No passado dia 5 de Março de 2026, os estúdios da icónica rádio KEXP, em Seattle, testemunharam uma das sessões mais densas, arrastadas e hipnóticas da sua história recente. O trio Stygian Bough — a aclamada colaboração entre os gigantes do funeral doom Bell Witch e o cantautor de dark folk Erik Moggridge (mente por trás do projecto Aerial Ruin) — apresentou-se numa performance ao vivo dilacerante, focada em duas das suas mais colossais composições: “From Dominion” e “King Of The Wood”.

Para os seguidores mais atentos da música pesada contemporânea, esta passagem pela rádio de Seattle não foi apenas uma sessão promocional de rotina, mas sim a consolidação ao vivo de uma das alianças mais singulares do underground. A parceria entre os Bell Witch (compostos por Dylan Desmond no baixo de seis cordas e Jesse Shreibman na bateria) e Aerial Ruin não é de agora. O eco desta ligação começou a ouvir-se logo em 2012, no álbum de estreia dos Bell Witch, Longing, e atingiu contornos históricos no lúgubre e aclamado Mirror Reaper, de 2017, onde a voz etérea de Moggridge funcionou como um farol de luz numa imensidão de luto e distorção.

Contudo, o que começou como uma participação especial evoluiu para uma entidade viva e com nome próprio. Em 2020, o colectivo apresentou-se ao mundo sob o manto de Stygian Bough com o Volume I. O projecto atingiu a sua maturidade criativa em Novembro de 2025 com o lançamento de Stygian Bough Volume II, editado pela prestigiada Profound Lore Records. Foi precisamente este segundo tomo — gravado sob a engenharia do veterano Billy Anderson e focado em temas cíclicos de adoração, rituais locais e a perda de fé — que serviu de combustível para a assombrosa actuação na rádio de Seattle.

Sob a apresentação do anfitrião Tanner Ellison e com a mestria áudio do engenheiro Kevin Suggs, o trio tomou de assalto o estúdio despido da KEXP. Quem assiste à transmissão pode testemunhar o perfeito contraste que define a identidade do projetco: de um lado, o dedilhar melancólico e despido da guitarra e as harmonias vocais limpas de Erik Moggridge; do outro, a parede sónica, massiva e esmagadora erguida pelo baixo reverberante de Dylan Desmond e pelos ritmos rituais de Jesse Shreibman.

Ao vivo, os Stygian Bough emprestam ao estúdio uma atmosfera que evoca dimensões esquecidas e folclore ancestral. A fragilidade é, uma e outra vez, abruptamente engolida por uma explosão de doom ciclópico quando o baixo e a bateria entraram em cena, quebrando o silêncio com a força de uma placa tectónica em movimento, abrindo um abismo de dor e tormento. Uma actuação que ecoa a influência clássica do death-doom escandinavo de bandas como os Thergothon ou os primeiros trabalhos de My Dying Bride.

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