Pink Floyd

Pink Floyd, Atom Heart Mother & Hakone Aphrodite

A reedição de 2023 do 5.º álbum dos Pink Floyd, acompanhado das raras imagens no festival nipónico Hakone Aphrodite. “Atom Heart Mother” foi o álbum em que as lendas britânicas se revoltaram contra o rótulo do psicadelismo e do space rock.

O quinto álbum de estúdio dos Pink Floyd foi lançado em 1970. Representa um ponto de viragem na discografia da banda, marcando a transição para um som mais grandioso e focado, com influências da música clássica e do jazz.

“Atom Heart Mother” é reconhecido, acima de tudo, pela sua longa e épica faixa-título, que ocupa quase metade do disco. Essa peça instrumental, com arranjos orquestrais e paisagens sonoras complexas, é uma das primeiras incursões dos Pink Floyd nesse som já referido, que a partir daqui se dedicariam a criar álbuns conceptuais mais longos e complexos.

“Atom Heart Mother”, a peça central do álbum, é uma suíte dividida em várias secções que exploram diferentes atmosferas e texturas sónicas. A música combina elementos de rock progressivo, música clássica e jazz, criando uma experiência auditiva rica e envolvente.

Depois há uma inflexão no estilo. “If” é uma balada acústica com letras introspectivas, tipicamente Roger Waters, que contrasta com a grandiosidade da faixa-título. A música explora temas como a existência e o significado da vida. “Summer ’68” é uma canção mais curta e alegre. A música apresenta um arranjo mais convencional, mais pop, com guitarras melódicas e vocais harmoniosos, talvez o momento mais Beatles dos Pink Floyd, principalmente quando entra o curto solo de trompete, e que captura a atmosfera de um Verão despreocupado. Mais ritmada que “If”, “Fat Old Sun” segue as mesmas estruturas convencionais de uma balada.

Então chega a terceira parte com “Alan’s Psychedelic Breakfast”, durante mais de 10 minutos, com uma sonoridade mais livre e experimental, incluindo o uso de samples em contraste com sons acústicos e pastorais, como se a banda estivesse a alargar o seu foco e a colocar no forno o que viria refinar no ano seguinte, com “Meddle”.

Lulubelle III

A capa original do álbum, desenhada pelo colectivo artístico Hipgnosis, mostra uma vaca Holstein-Frísia num pasto, sem texto nem qualquer outra pista sobre o que poderia estar no disco. Algumas edições posteriores têm o título do álbum e o nome da banda adicionados na capa. O conceito original foi a reação do grupo às associações do psicadelismo e space rock a cada álbum dos Pink Floyd – a banda queria explorar todos os tipos de música sem estar limitada a uma imagem ou espectro estético em particular.

Assim, os Pink Floyd pediram que o seu novo álbum tivesse «algo simples» na capa, o que acabou por ser a imagem de uma vaca. Storm Thorgerson, inspirado pelo famoso “papel de parede de vaca” de Andy Warhol, disse que se limitou a conduzir até uma zona rural perto de Potters Bar e fotografou a primeira vaca que viu. O dono da vaca identificou-a como “Lulubelle III”. Aparecem mais vacas na contracapa, mais uma vez sem texto ou títulos, e no interior da dobra.

Além disso, um balão cor-de-rosa com a forma de um úbere de vaca acompanhava o álbum como parte da campanha da estratégia de marketing da Capitol para fazer a banda “furar” nos Estados Unidos. Thorgenson recorda: «Penso que a vaca representa, a respeito dos Pink Floyd, parte do seu humor, que penso que é frequentemente subestimado ou simplesmente não reconhecido».

Hakone Aphrodite

No dia 8 de Dezembro de 2023, o álbum “Atom Heart Mother” dos Pink Floyd foi lançado numa edição especial de 2 discos numa embalagem de cartão de 7 polegadas, contendo o álbum “Atom Heart Mother” em CD e um disco Blu-ray com imagens de “Atom Heart Mother (Suite)” tocada no Hakone Aphrodite Festival, Japão, em Agosto de 1971 – originalmente lançado como parte da caixa “The Early Years”. O filme foi recuperado a partir de uma cassete original da época recentemente descoberta. Inclui também um mini documentário com detalhes da estadia dos Pink Floyd no Japão.

Esta edição especial, que foi exclusivamente lançada no Japão em 2021, contém muita memorabilia, como um livro de 60 páginas com fotos raras e inéditas e réplicas do folheto, do bilhete de acesso e do mapa do recinto do Festival bem como do cartaz promocional do concerto de Osaka.

As imagens existentes dos Pink Floyd no Hakone Aphrodite resultam da filmagem da atuação da banda enquanto interpretava o tema “Atom Heart Mother” num total de 16 minutos. Os pormenores sobre o paradeiro do filme original e sobre como foi filmado foram um mistério durante muito tempo, mas decorridos quase cinco décadas, o filme de 16 mm original foi descoberto na garagem de um fã. Depois de um processo meticuloso de digitalização, restauro e remasterização, o vídeo ficou finalmente disponível em todo o mundo.

Há mais de 50 anos, o primeiro festival de rock ao ar livre do Japão, o “Hakone Aphrodite”, decorreu num espaço criado para o efeito junto do lago Hakone Ashinoko, nos dias 6 e 7 de agosto de 1971. Os Pink Floyd, com o seu primeiro concerto de sempre no Japão, foram cabeças de cartaz. O “Hakone Aphrodite” que tinha aspirações a ser o Woodstock japonês, convidou muitos artistas internacionais e foi o primeiro festival de rock para muitos fãs japoneses.

Esta edição especial contém não só as filmagens originais ao vivo (com áudio do concerto), mas também filmagens dos bastidores da banda, das deslocações entre o aeroporto, o hotel, a conferência de imprensa, o comboio de alta velocidade, a montagem do espetáculo e obviamente de lindas paisagens japonesas.

Na altura deste concerto histórico, os Pink Floyd tinham acabado de editar “Atom Heart Mother” (em outubro de 1970), e estavam prestes a editar “Meddle” (em novembro de 1971). Os Pink Floyd, que foram a última banda a actuar fechando assim o festival, além de “Atom Heart Mother”, tocaram outras cinco canções, incluindo “Careful With That Axe, Eugene”, “A Saucerful Of Secrets” e “Echoes”, de “Meddle.” Infelizmente, não foram descobertas filmagens oficiais destas interpretações.

O mítico e fantástico concerto da banda, realçado pelos inesperados efeitos da natureza – as brumas que saíram do lago durante a atuação – foi falado durante muitos anos. A banda usou colunas de som enormes que não eram comummente vistas no Japão, e julga-se que terão influenciado imenso a produção áudio e cenográfica japonesa.

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