Steve Lukather revelou novos detalhes sobre o álbum de material inédito de Eddie Van Halen que está a desenvolver com Alex Van Halen, incluindo a procura por um vocalista, e tornou a assegurar que o projecto será inteiramente fiel ao universo dos Van Halen.
Numa entrevista concedida a Andrew Daly, da revista Guitar Player, Steve Lukather, falou sobre o álbum em que está a trabalhar com Alex Van Halen, lendário baterista dos Van Halen. O disco incluirá, alegadamente, gravações inéditas e inacabadas retiradas dos arquivos da banda. Tanto Alex como Lukather têm sublinhado que o projecto pretende honrar o legado do irmão de Alex, o icónico guitarrista Eddie Van Halen, falecido em 2020.
Tal como havia feito há uns meses atrás, na ressaca de imensa polémica, Steve Lukather esclareceu que, embora esteja envolvido no projecto, não tocará guitarra nas faixas, assumindo antes um papel semelhante ao de co-produtor. «Estou lá a 100 por cento para ser co-produtor do Al e ajudá-lo nos aspectos técnicos», explicou Steve. «Não vou tocar. Não haverá qualquer impressão digital de Steve Lukather ou dos Toto num projecto dos Van Halen. Posso garantir isso. Estou lá para ser o braço-direito do Al e perguntar: ‘Como posso ajudar-te a fazer isto?’ Posso ajudar com vozes, com as misturas, com a organização das coisas. Trata-se de garantir um controlo de qualidade vindo de alguém em quem ele confia».
Sobre as gravações que Eddie deixou para trás, Steve Lukather acrescentou, categoricamente: «Estou a dizer-vos: isto não são restos de estúdio. Quando ouvi estas músicas, perguntei ao Al: ‘Mas porque raio não usaste isto?’ E a resposta foi que ninguém conseguia escrever por cima delas. Portanto, se alguém pensa que isto é um monte de material descartado que estamos a tentar remendar para sacar dinheiro aos fãs dos Van Halen, não é».
Já Alex Van Halen falou sobre o álbum em Fevereiro passado, numa entrevista a Gastão Moreira, do canal brasileiro Kazagastão. O baterista explicou: «O Ed e eu tínhamos muito material que criámos juntos e que nunca chegou a ser lançado. Muita gente pergunta sobre a possibilidade de editar músicas inéditas. Bem, não vamos lançá-las no seu estado embrionário porque isso não faria sentido. Felizmente tenho o Steve Lukather, que era um grande amigo do Ed, e estamos a trabalhar para montar um álbum. Mas tem de ter a qualidade e o nível que sempre exigimos. Não basta dizer: ‘Aqui está música que fizemos. Se gostarem, óptimo.’ Não. Tem de corresponder ao padrão que esperamos».
Questionado sobre o papel de Steve Lukather no projecto, Alex respondeu: «Chamo-lhe Luke, carinhosamente. Ele é o tecido conjuntivo de tudo isto. O Luke consegue tocar qualquer coisa. E, precisamente por conseguir integrar-se em qualquer contexto, não recebe o reconhecimento que merece. Talvez eu esteja errado. Talvez seja reconhecido em todo o mundo. Mas devia ser ainda mais».
O baterista continuou: «Eu não toco guitarra. Consigo desenvolver ideias num teclado, mas levo demasiado tempo. E quando finalmente percebo o que quero fazer, o momento já passou. Fui várias vezes a casa do Steve, tocávamos uma peça musical e ele dizia imediatamente: ‘Já percebi. É isto.’ Depois consegue tratar de toda a estrutura, dos solos, dos órgãos, da organização das músicas. Eu tenho as minhas opiniões e ele as dele, mas ele consegue facilitar coisas que me demorariam dez vezes mais tempo. E adoro o tipo. Conhecemo-nos há décadas».
Quando lhe perguntaram se iriam utilizar gravações antigas de Eddie, Alex respondeu: «Estas são gravações que estavam destinadas a ser o próximo álbum dos Van Halen e que ficaram interrompidas porque o Ed não viveu tempo suficiente. A bateria já está gravada. A guitarra e o baixo também. O que faltava era um vocalista e aquilo a que chamamos a cola que une tudo». Sobre quem gravou as linhas de baixo, Alex revelou: «A maior parte foi o Wolf [Wolfgang Van Halen], porque estas gravações foram feitas já a pensar no próximo disco».
Depois de Gastão Moreira mencionar “Unfinished”, a última peça musical escrita por Alex e Eddie e incluída na versão áudio do livro Brothers, o baterista comentou: «A reacção a essa música foi incrível. Mas não tinha voz e não estava terminada. E era exactamente esse o ponto. A forma como o meu irmão e eu trabalhávamos estava profundamente ligada a ensinamentos do nosso pai. Uma das peças favoritas dele era a Sinfonia Inacabada de Franz Schubert. Esta música também estava inacabada, por isso chamámo-la ‘Unfinished’ e ficou assim».
«Nunca pensámos sequer em torná-la pública. Era apenas o Ed e eu a trabalhar em estúdio, sem pressões, sem expectativas. E há momentos em que a música praticamente rebenta com os medidores. Espero que ninguém tenha queimado as colunas ao ouvi-la», acrescentou entre risos.
Questionado sobre a possibilidade de acrescentar vozes às músicas do novo álbum, Alex revelou: «Originalmente tínhamos planos para trabalhar com um dos vocalistas que mais queríamos para este projecto: Paul Rodgers. Ele tem uma relação próxima com o Luke e nós crescemos a ouvir os Free. Mas ele já não consegue fazê-lo. Foi muito difícil para ele dizer-nos que não podia participar. Respeito isso. Fiquei triste e desapontado, mas faz parte da vida. Prefiro alguém que diga honestamente que não consegue, em vez de aceitar e depois não corresponder».
Resulta que Alex e Steve Lukather estão a estudar quem escolher para assumir as tarefas vocais, sem terem qualquer nome específico em mente. Nesse sentido, parece descartado um nome da nova geração: «A música não é apenas música. É uma experiência partilhada entre pessoas. Tenho 72 anos. Precisamos de encontrar alguém dessa geração, alguém que tenha vivido as mesmas referências musicais que nós. Caso contrário, falta profundidade. Há uma diferença entre conhecimento e sabedoria. Conhecimento é saber que um pepino é um vegetal. Sabedoria é saber onde o colocar», brincou.
Partilhando o entusiasmo de Steve Lukather com a matéria-prima, e no seguimento de declarações anteriores de Michael Anthony, Alex já tinha afirmado anteriormente que existem gravações suficientes nos arquivos dos Van Halen para produzir três ou quatro álbuns. Numa participação no podcast Talk Is Jericho, de Chris Jericho, o baterista declarou: «Vamos revisitar os arquivos e recuperar algumas das ideias musicais que lá estão guardadas. Há material realmente bom. E quando estamos no meio do processo criativo, às vezes as melhores coisas passam despercebidas. Só anos depois voltamos a ouvi-las e pensamos: ‘Como é que me esqueci disto? Isto é incrível.’ Mas é preciso tempo. E eu quero fazer isto da forma correcta».
