Os Storm Corrosion estão de volta. Uma imagem de bastidores publicada por Steven Wilson junto de Mikael Åkerfeldt mostra que ambos já começaram a gravar o segundo álbum, quebrando o hiato sem anúncios formais.
Uma fotografia partilhada no Instagram, que junta Steven Wilson (Porcupine Tree) e Mikael Åkerfeldt (Opeth) num estúdio de gravação em Maio de 2026, deitou por terra o hiato de mais de uma década dos Storm Corrosion. Embora não existam ainda datas de lançamento, títulos de malhas ou campanhas de marketing estruturadas, o registo visual da dupla rodeada de instrumentos confirma que o muito aguardado segundo capítulo está efectivamente a ser gravado. Tudo reforçado pela legenda usada por Wilson, «Storm Corrosion 2, Stockholm, May 2026».
Este anúncio resgata uma das parcerias mais celebradas da música contemporânea: a colisão criativa entre o britânico Steven Wilson, mentor dos Porcupine Tree, e o sueco Mikael Åkerfeldt, a mente por trás dos titãs Opeth. É imperativo recuar às fundações do projecto, cuja génese e filosofia foram profundamente detalhadas aquando do lançamento do seu homónimo álbum de estreia, em 2012.
Na altura, como recorda uma análise retrospectiva da imprensa especializada, a união entre Wilson e Åkerfeldt gerou uma onda de antecipação quase febril na comunidade do metal e do progressivo. O público, alimentado pela fusão óbvia dos currículos de ambos os músicos, salivava por um híbrido que combinasse os riffs esmagadores e os guturais do death metal progressivo dos Opeth com as texturas espaciais, melódicas e conceptuais dos Porcupine Tree.
Contudo, a dupla operou uma das rasteiras mais brilhantes da história recente da música pesada. Em vez de celebrarem o óbvio, Wilson e Åkerfeldt entregaram uma obra despida de distorção pesada, focada em ambientes minimalistas, folk psicadélico, música de vanguarda e uma atmosfera assustadoramente cinzenta. Influenciados por terrenos marginais — que iam desde o trabalho tardio e experimental de Scott Walker e dos Talk Talk até à música clássica contemporânea e bandas sonoras de terror dos anos 70 —, os Storm Corrosion deixaram claro que o projecto não existia para satisfazer os desejos comerciais ou os caprichos dos fãs, mas sim para servir de refúgio espiritual e criativo para os seus criadores.
Na altura da promoção do primeiro disco, Steven Wilson foi categórico ao afirmar que a música dos Storm Corrosion habitava um espaço muito particular, onde o silêncio, a contenção e o espaço entre as notas assumiam um papel tão ou mais importante do que a própria instrumentação. Era um registo que exigia paciência, imersão e uma total ausência de preconceitos estéticos.

O prenunciar de um novo álbum confirma que a dupla se manteve fiel a este pacto de total desapego comercial. Ambos os músicos sempre reiteraram em entrevistas ao longo dos anos que um segundo capítulo só faria sentido se acontecesse de forma puramente orgânica, sem pressões de editoras, prazos ou calendários de digressões. A ideia Storm Corrosion necessitava que os dois compositores se encontrassem novamente na mesma sala física, despidos das obrigações das suas respectivas bandas principais, para deixar a música fluir sem um destino predeterminado.
Ao analisar o contexto catual de ambos os artistas, este reencontro em estúdio surge num momento de maturidade técnica crucial. Nos últimos anos, Mikael Åkerfeldt continuou a afastar os Opeth do death metal clássico, consolidando a banda num território próximo do rock progressivo puramente conceptual e teatral (abre review a The Last Will & Testament). Por sua vez, Steven Wilson passou a última década a saltar barreiras no seu catálogo a solo, testando os limites da electrónica, da pop alternativa e de misturas de som imersivo. A confirmação de que o sucessor do disco de 2012 está a ganhar forma garante a reactivação de um dos laboratórios mais livres e imprevisíveis da música contemporânea.
