Tvmvlo

Tvmvlo, Portals Of Terror

O segundo álbum dos Tvmvlo, é um poço sem fundo de horror e demência, que a cada metro da queda nos sova como só uma brutal descarga de death metal da velha guarda é capaz de fazer. Não há nada catártico, só desespero em “Portals Of Terror”.

Os mais atentos ao underground português da música extrema sabem que os Tvmvlo são um trio oriundo de Viseu, que iniciou actividades algures em 2020, quando o gosto pelo Old School Death Metal levou três músicos a juntarem-se na sala de ensaios com objectivos bem definidos. São eles o guitarrista/vocalista António Baptista (Basalto e ex-Angriff), o baterista Fábio Loureiro (Rotten Rights) e o baixista Nuno Mendonça (Basalto e Zurrapa), ficou com as 5 cordas.

Foi em Abril de 2021 que o trio decidiu entrar em estúdio para começar a gravar o que viria a ser o seu trabalho de estreia, intitulado “The Well Of The Lost Children”, com a preciosa ajuda de OJ Laranjo, tendo este escrito as letras para o disco. Toda a gravação e produção do disco ficou entregue a António Baptista nos Doomed Studios e o mesmo teve data de lançamento a 4 de Dezembro de 2021. Com uma digressão extensa de apoio ao primeiro álbum os Tvmvlo cimentaram a sua posição no underground português, tendo algumas incursões em Espanha também.

Esta “estrada” trouxe natural entrosamento, algo que motivou a criação de novas malhas. Em Maio de 2024, a banda gravou o segundo álbum “Portals Of Terror”, editado a 11 de Novembro de 2024, com os selos da Doomed RecordsFirecum Recordsraging planetSelvajaria Records e Larvae Records. O artwork do álbum é um trabalho de Nuno Zuki, da Belial NecroArts. Laranjo tornou a assumir a componente lírica.

«No seu segundo álbum, os Tvmvlo trazem-nos mais uma trama de riffs pútridos, carregados de solos com efeitos e camadas que transmitem odor nauseabundo e decomposição. Histórias macabras, através de vozes guturais, deixam um rasto de sangue que vai invadir a tua mente com episódios de terror e agitação! Com uma linha de baixo e bateria idiossincrática, a banda desenvolveu o seu próprio Death Metal de uma forma coerente e abrasiva, não deixando ninguém indiferente ao seu estilo!» Esta exortação presente no comunicado de imprensa de “Portals Of Terror” deve ser levada em linha de conta por fãs de trve death metal.

O segundo disco dos Tvmvlo é composto de 10 malhas (a cronometrar uns 41 minutos) que deixam bem claro que os beirões levam as suas influências a sério, com reverente respeito. Dessa forma, qualquer adepto de Morbid Angel, Death, Massacre, Malevolent Creation, Benediction ou até dos épicos Bolt Thrower, sentir-se-á reconfortado pelo poder barbárico de “Predators Of Christ”, “When Glory Fades” ou “Reverence”. É inescapável salientar, mais que a proficiência técnica (omnipresente, descansem), o vigor da execução instrumental e intransigente violência sónica equilibrada com dinâmica irrepreensível.

E, continuando neste ciclo vicioso de citação de referências, mas para destacar onde se situa a força criativa dos Tvmvlo, o trio consegue fazer-nos intuir muitos dos pontos de partida de Tomas Skogsberg, fundador dos Sunlight Studios, e dos Entombed sem inundar o seu som com o fabulado HM-2. Os Tvmvlo recuperam ainda algo do início dos anos 90: a porra de uma introdução instrumental, a estabelecer a atmosfera do cabrão do disco! A tradição é reconfortante.

Aqui para nós, há ainda algo daquele groove de Trevor Peres nos Obituary numa malha como “Aesthetics Of Degradation”, por exemplo. Aquele ligeiro flanger a colorir o riff arrebatador abre um portal, sem dúvida, para headbanging demente que ainda se intensificará na sua segunda metade, acabando a acolher demenciais arpeggios de guitarra – um elemento shredder que já havia sido desvendado logo em “Mourning We March”. Pode ser coincidência a sua colocação a meio da tracklist, mas é precisamente a malha nuclear deste disco.

Por falar no acerto da tracklist, todas estas sensações de “Portals Of Terror” surgem reforçadas ou sintetizadas no último tema do álbum, “My Devious Path”. Aqui os Tvmvlo revelam implacável barragem de pedal bombo e um arrasador riff simultaneamente simples e sincopado. A voz de António Baptista parece provinda de um poço de horrores sem fundo. Malhão absolutamente maníaco. Discão obrigatório!

Podem adquirir qualquer uma das versões em vinil preto ou vinil vermelho na ROMA INVERSA.

Leave a Reply