Edição expandida de Balance celebra 30 anos do álbum com faixas inéditas, vídeos restaurados e gravações ao vivo dos Van Halen, incluindo o mítico concerto de Wembley de 1995, há tantos anos pedido pelos fãs.
Trinta anos depois do lançamento original, os Van Halen estão a celebrar em grande o aniversário de Balance, o décimo álbum de estúdio da banda e o último com Sammy Hagar na voz. A Rhino lançou, a 15 de Agosto de 2025, uma edição expandida que promete satisfazer fãs nostálgicos e coleccionadores com uma combinação de remasterizações, raridades e material inédito, como é tradicional nestas ocasiões.
Originalmente editado a 24 de Janeiro de 1995, Balance marcou uma fase de transição na história dos Van Halen. Atingiu o primeiro lugar do Billboard 200 e tornou-se triplo-platinum, mas também reflectiu uma banda em tensão interna. Musicalmente, trouxe um som mais pesado e introspectivo, com riffs densos de Eddie Van Halen e um Sammy Hagar mais contido e sombrio nas letras. É essa complexidade que a nova edição procura homenagear, agora com uma qualidade de som aprimorada a partir das fitas originais de 2023.
A edição deluxe é a mais completa e inclui dois LPs, dois CDs, um Blu-ray e um livrete de 20 páginas com notas e imagens de arquivo. Além do álbum remasterizado, esta caixa traz uma selecção de faixas raras, como “Crossing Over”, até agora disponível apenas como lado B, e as contribuições para a banda sonora de Twister, “Humans Being” e “Respect the Wind”. O segundo disco é inteiramente dedicado a gravações ao vivo inéditas, captadas a 24 de Junho de 1995 no antigo Estádio de Wembley, onde clássicos como “Feelin’”, “The Seventh Seal” e “Can’t Stop Lovin’ You” são revisitados com a energia crua daquele período.
No Blu-ray, para além dos vídeos promocionais remasterizados de “Can’t Stop Lovin’ You”, “Not Enough” e “Amsterdam”, os fãs encontram ainda um clip ao vivo inédito de “The Seventh Seal”, filmado em Minneapolis durante a digressão de Balance. Para quem preferir opções mais simples e económicas, há também um duplo CD com o álbum e as raridades, e edições em vinil preto ou laranja, com o disco dividido em três faces para melhor qualidade de áudio e uma gravação artística na quarta face.

Na ROMA INVERSA, a crítica original ao disco descreve Balance como um álbum sobriíssimo dos Van Halen, nascido de riffs maturados durante uma década e mergulhado numa tensão maniqueísta que a própria capa ilustra. Essa leitura ajuda a perceber porque este disco envelheceu tão bem: entre a densidade sonora, os instrumentais experimentais e a carga emocional das letras, há aqui uma fotografia honesta de uma banda a viver a plenitude do seu talento e, ao mesmo tempo, a implodir por dentro.
Na ressaca das palavras de Michael Anthony, que há uns tempos garantiu a existência de um arquivo gigantesco nos 5150, esta reedição chega também num contexto de redescoberta da era Hagar, sucedendo à recente expansão de For Unlawful Carnal Knowledge. Mas é em Balance que essa arqueologia ganha um peso especial: é o testemunho de um capítulo final, de um som que já não voltaria a repetir-se, e de uma banda que, mesmo em crise, parecia intocável no palco e no estúdio.
Três décadas depois, Balance mantém-se como um dos discos mais complexos e, paradoxalmente, mais coesos do catálogo dos Van Halen. A nova edição não é apenas um mergulho nostálgico; é um convite a revisitar, com novos ouvidos e olhos, um álbum que conseguiu transformar turbulência em arte — e que agora regressa em toda a sua força para quem, em 1995, já sabia que estava a testemunhar história.
