Carcass

Europa Rigor Mortis 2025: Carcass, Brujeria & Rotten Sound em Portugal

Três nomes de dimensão paquidérmica no death/grind, Carcass, Brujeria e Rotten Sound vão estar juntos na digressão Europa Rigor Mortis. Lisboa e Porto fazem parte do percurso, com concertos logo no arranque de 2025.

Num evento único, com a produção da Sonic Slam e da Larvae, Carcass, Brujeria e Rotten Sound, três colossos do grind/death, juntam-se para duas noites de peso em Portugal, a dia 27 de Janeiro na Music Station em Lisboa e no dia seguinte, no Bourbon Room Porto. Os bilhetes à venda nos locais habituais por um valor de €27 (um preço fenomenal, para um conclave deste gabarito. Vamos olhar cada uma das bandas deste cartaz maravilhoso.

Podridão & Groove

Com mais de um quarto de século de carreira às costas, já pouco resta para dizer acerca dos demolidores Rotten Sound ou, antes, pouco haveria para dizer se o seu mais recente LP, “Apocalypse”, não fosse simultaneamente um disco tão ansiado e uma reabilitação tão vigorosa da vitalidade da banda finlandesa no espectro do grindcore. Criado em 1993, durante a década seguinte o quarteto liderado pelo guitarrista Mika Aalto e pelo vocalista Keijo Niinimaa acabou por estabelecer-se como um dos nomes mais entusiasmantes no que à música rápida e contundente diz respeito.

Manejando habilmente a brutalidade feroz e a agressão massiva, assinaram oito álbuns de estúdio altamente aclamados e oito EPs repletos de composições inteligentes, arranjos eficazes e proficiência musical, condimentados pela dose necessária de death metal injectado de balanço colossal. Na última vez que passaram em Portugal, não deixaram pedra sobre pedra no SWR 2023.

Esto Es Brujeria

Quase três décadas após a edição do incontornável álbum de estreia “Matando Güeros”, que chocou a cena da música extrema com as suas histórias de satanismo e narcotráfico, Brujo e companhia continuam a ser um dos nomes a ter sempre em conta num espectro em que tudo já parece ter sido inventado. Muitas vezes, nas datas europeias, Shane Embury (Napalm Death) assume o papel de baixista, sob o pseudónimo “Hongo”. Por exemplo, em 2008, ocasião em que os vimos ao vivo no SWR Barroselas Metalfest, Jeff Walker (Carcass) tinha essas tarefas. Nicholas Barker, um dos mais reputados bateristas no death/black metal europeu, é o actual baterista dos Brujeria.

A LOUD! recorda que, em Junho de 2020, o super projecto internacional disponibilizou um novo single digital, intitulado “COVID-666”, através da Nuclear Blast Records, que inclui um tema original e, no lado B, uma versão inusitada de “Cocaine”, um original de J.J. Cale popularizado por Eric Clapton. «O coronavírus é a praga do Diabo enviada para limpar a humanidade», dizia a banda em comunicado à imprensa. «Vai deixar os sobreviventes a sofrer sem emprego, sem dinheiro e forçar um estilo de vida através das redes sociais em todo o mundo! Vendo as coisas pelo lado positivo… Agora já posso ir às compras sem pregar um susto de morte às pessoas!»

O single foi produzido e misturado por Brujo, que concebeu também a arte da capa. Em 2016, “Pocho Aztlan” marcou o primeiro registo de longa-duração do grupo desde a edição de “Brujerizmo”, em 2000. O seu sucessor não demorou tanto tempo a surgir. Com o selo da Nuclear Blast, “Este Es Brujeria” chegou em 2023 e deverá estar no núcleo do alinhamento deste regresso ao nosso país, depois da visita em 2022.

A Ascensão, Queda & Reanimação dos Carcass

Nos anos 60, uma banda de Liverpool revolucionou a música. Oriundos da mesma cidade, os Carcass tiveram também um papel revolucionário na música. Com origem nos anos 80, a banda teve ainda um papel preponderante na definição do grindcore, com o álbum de estreia “Reek Of Putrefaction”. Todavia, a banda ganhou o seu estatuto primeiro na definição do death metal como um dos maiores subgéneros do heavy metal, nos excelentes álbuns “Symphonies Of Sickness” e “Necrotism – Descanting The Insalubrious”, e depois na criação de uma das maiores obras-primas do género e da música extrema, o álbum “Heartwork”.

Os puristas irão defender os álbuns anteriores, principalmente “Necrotism…”, menosprezando o surgimento de uma matriz melódica nos Carcass, mas sob a ferocidade eléctrica das guitarras de Bill Steer e Michael Amott, a banda voa sobre um terramoto de peso, conseguindo concretizar um dos mais difíceis exercícios dentro do espectro mais extremo da música: mantendo a agressividade nuclear do som, consegue ampliar a musicalidade das composições, dotando o álbum de uma projecção mais universal, a roçar a esfera do rock.

O tema título é um exemplo perfeito desta noção e encerra em si as várias dinâmicas que colidiram entre si para o elevar a um dos melhores álbuns dos anos 90. Ken Owen tem aí uma prestação extraordinária, combinando violência e groove na bateria – o que alterna ao longo do álbum e pode ser observado facilmente ouvindo a sequência “Carnal Forge” e “No Love Lost”. Infelizmente, Michael Amott deixou os Carcass após a gravação do disco.

O tremendo sucesso de “Heartwork” despertou o interesse da Sony, através da Columbia, em assinar os Carcass. A editora avançou mesmo com o pagamento adiantado para um álbum. A banda começou a escrever novo material e entrou em estúdio para o gravar. No entanto, a editora começou a interferir no trabalho, avisando os Carcass de que os temas não estavam prontos para ser gravados e sugerindo que os vocalizos fossem num registo totalmente diferente.

Ao contrário dos desejos da editora, a banda descartou gravar com Terry Date – que na altura tinha já no bolso discos como “Cowboys From Hell”, “Vulgar Display Of Power” e “Far Beyond Driven”, os três álbuns da era dourada dos Pantera, ou “Badmotorfinger”, dos Soundgarden, apenas para citar alguns. Os Carcass mantiveram a parceria com Colin Richardson e Terry Date assumiu a produção histórica de “Adrenaline”, o álbum de estreia dos Deftones. A editora acabou por desistir do álbum e a banda vendeu o disco à Earache, regressando à casa de partida.

E se com “Swansong” a banda ainda teve a audácia de tornar a surpreender, fazendo um álbum que seguia o death ‘n’ roll dos companheiros de editora, os Entombed, ou o Lado B do single “Hyperballad”, de Björk, com uma remix do tema “Isobel”, o contrato falhado com a Columbia (com o mainstream tão próximo) e as mudanças de line-up provocaram o declínio e a banda parou mesmo. A reunião do line-up clássico, em 2007, trouxe concertos vibrantes, mas Amott não participou na criação de “Surgical Steel”. Ainda assim, o álbum de 2013 mostrou um regresso às raízes death metal dos Carcass e foi capaz de, no mínimo, se mostrar à altura dos antecessores.

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