O mural que supostamente representa Constantino XI Paleólogo, pintado em vida do imperador que morreu heroicamente a defender Constantinopla dos turcos otomanos, foi localizado num mosteiro histórico no Peloponeso.
Na primeira quinzena de Dezembro de 2024, historiadores e especialistas em arte eclesiástica fizeram furor na Grécia com a revelação de que um retrato mural, encontrado numa parede da catedral principal de um mosteiro do Peloponeso setentrional, é considerado como uma representação do último imperador bizantino, Constantino XI Paleólogo. O mural, que segue o estilo eclesiástico bizantino tardio prevalecente no século XV, estava localizado no catholicon, ou catedral principal, do Mosteiro dos Santos Taxiarcas (Arcanjos), numa região montanhosa a cerca de 15 quilómetros a sul da cidade portuária de Égio, no nordeste de Acaia, uma das mais antigas urbes da Grécia e dos Balcãs.
O projecto, que foi inicialmente apresentado durante um fórum de investigação em 2021, foi formalmente anunciado esta semana pelo Ministério da Cultura grego e rapidamente deu origem a notícias nos meios de comunicação social locais e internacionais. Num exemplo revelador, a página da Wikipédia dedicada a Constantino XI apresenta agora uma fotografia do mural.
Os arqueólogos acreditam que o fresco retrata Constantino XI Paleólogo (Konstantinos Dragasēs Palaiológos), que caiu em combate ao defender a metrópole imperial de Constantinopla dos turcos otomanos, a 29 de Maio de 1453. Em meados do século XV, do outrora formidável Império Romano do Oriente, apenas restava Constantinopla e um punhado de redutos imperiais.
A pintura de Constantino XI retrata um homem maduro com um rosto magro e elementos da indumentária habitualmente associada aos imperadores do Império Romano do Oriente, que viria mais tarde a ser designado por Bizâncio ou Império Bizantino por sucessivos historiadores. A figura masculina representada no fresco, além dos trajes imperiais, segura um ceptro com uma cruz. O manto dourado e púrpura está preso com uma fivela e decorado com medalhões, nos quais figura a águia bicéfala, com uma coroa inscrita entre as suas cabeças – insígnias características do período bizantino tardio.
«Trata-se de um retrato autêntico (de Paleólogo), que representa com exatidão os traços faciais do último imperador bizantino, para o qual, no entanto, não existe qualquer informação nas fontes, nem qualquer descrição do seu amigo, cortesão imperial e companheiro de guerra, o historiador George Sphrantzes (Phrantzes). Em Mystras (fortaleza bizantina, ou Déspota, no sudeste do Peloponeso), de onde pensamos que provém o pintor que desenhou a segunda camada do Catholicon, Constantino Paleólogo viveu cinco anos completos como o seu governante, de Outubro de 1443 a princípios de Janeiro de 1449, quando partiu para Constantinopla após ter sido coroado imperador (6 de Janeiro de 1449)».
As palavras acima são referentes a um artigo do diário ateniense ‘Ta Nea’, que cita Anastasia Koumousi, chefe da direcção de antiguidades do município de Achaia, onde se situa o mosteiro.
«Por esta razão, é muito provável que o pintor tenha feito os seus retratos a partir da sua própria conceção, ou seja, o modelo não era um retrato imperial oficial, mas o original, o próprio imperador», conclui o artigo do diário, sobre Constantino XI, que cita o texto da Dra. Koumousi a respeito do achado, publicado nas actas da terceira reunião internacional de investigação sobre os esforços arqueológicos no Peloponeso, que teve lugar em Kalamata em Junho de 2021.




Outras investigações revelam que os esforços de conservação do mosteiro no século XV foram financiados pelos irmãos de Constantino XI, os governantes locais Demetrios e Thomas. Segundo Koumousi, os dois irmãos estiveram envolvidos num conflito fraterno entre 1449 e 1450, tendo o irmão mais velho, Constantino, conseguido uma trégua entre os dois, de acordo com um contemporâneo, o historiador Laonikos Chalkokondyles.
«É possível que esta reconciliação tenha sido selada pelo patrocínio do mosteiro de Taxiarches, na região de Aegialia, que era, na altura, um importante centro religioso do Peloponeso», escreve a historiadora.
