Dead Can Dance

Dead Can Dance Monofaciais em Death Cults

Dead Can Dance lançaram “Death Cults”, single de 9 minutos gravado na Grécia. A ausência de créditos de Lisa Gerrard vai-se tornando ruidosa…

Os Dead Can Dance consolidam o seu regresso com o lançamento de “Death Cults”, o mais recente capítulo de uma série de edições mensais planeadas para 2026. Com uma duração épica de 8 minutos e 53 segundos, a malha já está disponível na página de Bandcamp do grupo (abre link), surgindo como um lançamento digital acompanhado por um PDF que contém as letras e arte original da autoria de Brendan Perry.

De acordo com as redes sociais e site oficial dos Dead Can Dance, esta campanha de 2026 desenrola-se como uma sucessão de canções lançadas regularmente todos os meses, exclusivamente através do Bandcamp sob a chancela própria, Holy Tongue Records.

Este ciclo teve início a 20 de Março com “Our Day Will Come”, um tema dedicado às aspirações nacionais partilhadas pelos povos irlandês e palestiniano (abre link), cujo título remete directamente para o slogan republicano irlandês Tiocfaidh ár lá, precisamente “o nosso dia virá”. Seguiu-se “Mnemosyne” a 10 de Abril, embora este item funcione mais como um livro de letras digital. Assim, “Death Cults” assume-se como o segundo novo tema propriamente dito nesta sequência, que até ao momento não tem um álbum de estúdio tradicional anunciado.

O novo material levanta uma questão inevitável e, admita-se, algo incómoda: afinal, qual é o papel de Lisa Gerrard nesta fase dos Dead Can Dance? Até ao momento, não existe qualquer clarificação pública sobre o seu envolvimento ou o seu estatuto na banda actualmente ou daqui para a frente.

A página de “Death Cults” no Bandcamp não especifica os músicos envolvidos, mencionando apenas a arte de Brendan Perry e o local de gravação. Embora o grupo continue a ser descrito na plataforma como o colectivo fundado por Perry e Gerrard, os créditos actuais são escassos. Esta incerteza recorda o contexto de Dionysus (2018), um álbum fortemente moldado pelas explorações rituais de Perry. É possível que Brendan esteja a conduzir esta fase inicial, com Gerrard a surgir mais tarde na série de lançamentos, mas por agora, isso permanece no campo da especulação.

Este regresso dos Dead Can Dance em 2026 acontece após um longo período de instabilidade na agenda de concertos. Entre 2019 e 2023, os Dead Can Dance viram várias digressões americanas e europeias serem sucessivamente adiadas e, finalmente, canceladas por motivos de saúde em Setembro de 2022 – a ROMA INVERSA esteve numa das duas deslumbrantes noites do Coliseu dos Recreios, em Junho desse ano (recorda a reportagem).

Durante este hiato, Lisa Gerrard colaborou com Jules Maxwell (Burn, 2021) e Marcello De Francisci (Exaudia), lançou o álbum ao vivo One Night in Porto (2023) e participou em digressões e bandas sonoras com Hans Zimmer. Brendan Perry editou o álbum a solo Songs of Disenchantment – Music from the Greek Underground (2020) e lançou uma reedição expandida de Eye of the Hunter com um registo ao vivo no I.C.A. em 2023.

Dead Can Dance

“Death Cults” apresenta-se como uma gravação densa e incensada, misturada no estúdio Temenos, em Epidauros, na Grécia. A malha parece um acréscimo natural e sem fissuras ao cânone mais electrónico dos Dead Can Dance, carregando uma atmosfera assombrada, cerimonial e palacial que transporta o ouvinte para outro tempo e mundo.

O que é claro nesta fase dos Dead Can Dance é a escolha de Brendan Perry por uma rota directa para os fãs, privilegiando o Bandcamp em detrimento de campanhas de marketing convencionais. Resta saber se Lisa Gerrard irá intervir na série nos próximos meses e se estas peças isoladas acabarão por convergir num corpo de trabalho maior.

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