Aluk Todolo preenchem vaga dos Bölzer no SWR 2026. Os horários oficiais dos concertos em cada um dos dias do festival estão disponíveis.
O SWR – Barroselas Metalfest revelou por fim os horários da sua edição de 2026, encerrando o mistério em torno dos nomes que irão tomar de assalto o Minho entre os dias 29 de Abril e 2 de Maio. Para a sua 26.ª edição, o festival apresenta um alinhamento extenso, diversificado e profundamente ancorado na tradição mais extrema do underground internacional, reunindo veteranos absolutos e algumas das propostas mais desafiantes da actualidade.
A presença de nomes históricos como os Beherit, Bulldozer, Exhumed, Pentacle ou Revenge sublinha a ligação do SWR a pilares sonoros que moldaram o underground desde os primórdios. Ao mesmo tempo, a inclusão de bandas como Vastum, Darvaza, Century, Venefixion, Invoker, Vürmo, Anzy, ou Gravekult, demonstra a vitalidade e a renovação constantes que fazem do SWR um espaço vivo, capaz de aliar legado e descoberta.
A acompanhar os horários oficiais dos concertos (impressos no fundo do artigo), soube-se também da baixa de vulto que são os Bölzer. «Devido a um problema de saúde de um membro da banda e à necessidade de um período de tratamento alargado, infelizmente não poderemos actuar no SWR este ano. No entanto, estaremos de volta a Barroselas em 2027 a todo o gás para apresentar o que temos andado a preparar nos últimos anos. Lamentamos sinceramente qualquer inconveniente causado e agradecemos a vossa compreensão e apoio», adiantou a banda em comunicado oficial.
A banda que vem colmatar a ausência dos suíços é um excelente paliativo. Formaram-se em Grenoble em meados dos anos 2000 e posicionaram-se numa zona de fricção pouco habitada: a intersecção entre o krautrock e austeridade do black metal. Não no som imediato — não há blast beats nem estética de superfície — mas na intenção: resistência, transe, negação de resolução. Os ALUK TODOLO não compõem no sentido convencional — constróem espirais.
Depois de um início mais fragmentário, foi com “Finsternis” (2010) que definiram linguagem. Um disco de pulsação contínua, onde a repetição deixa de ser ferramenta composicional e passa a ser método de alteração perceptiva. Contando apenas LPs, seguiram-se “Occult Rock” (2012) — título que diz tudo sem explicar nada — e “Voix” (2016), o trabalho mais depurado do trio, onde a ausência quase total de voz reforça o carácter litúrgico da música. Depois do revisionista “Archives Vol.1” (2017), houve um certo processo de reformulação, que resultou no mais idiossincrático “LUX” (2024).
A ligação à Norma Evangelium Diaboli não é acidental. Embora afastados dos códigos mais imediatos do black metal, os Aluk Todolo partilham com essa tradição uma recusa de compromisso e uma relação com o som como acto de concentração extrema. Uma vez mais, não há concessões estruturais, nem narrativa no sentido clássico — apenas progressão, insistência e erosão. Ao vivo, essa lógica atinge o seu ponto máximo. A repetição torna-se veículo, a distorção um meio de alteração perceptiva. Quando termina, não há libertação — apenas silêncio, como se algo tivesse sido consumido.



