Um dos mais relevantes festivais mundiais dedicados ao rock progressivo, está de regresso nos dias 1 a 3 de Maio. O Gouveia Art Rock 2026 propõe três dias de música, convívio e amizade, com um cartaz absolutamente estelar, liderado pelos über lendários Tangerine Dream.
Se exceptuarmos a edição experimental, o Gouveia Art Rock teve a sua edição inaugural em 2004. Nesse ano, os suecos Isildurs Bane, o britânico Richard Sinclair Trio, os italianos La Torre Dell’Alchimista e Periferia Del Mondo e os portugueses Forgotten Suns, passaram no Teatro-Cine de Gouveia nos dias 24 e 25 de Abril. É nessa sala (construída nos anos 40 e restaurada nos anos 90) que, desde há duas décadas, se realizam a maior parte das actividades do festival – apenas interrompidas em 2020, pelos motivos sobejamente reconhecidos.
Avançando rapidamente mais de duas décadas, entre os dias 1 e 3 de Maio, o Gouveia Art Rock 2026 faz o festival regressar a essa sala capaz de acolher cerca de 350 pessoas e à milenar cidade na encosta nordeste do Parque Natural da Serra da Estrela.
Sob a inegável liderança dos Tangerine Dream, uma das maiores instituições da música ocidental no último século, eis os nomes confirmados no cartaz do Gouveia Art Rock 2026 que, para lá de ser politicamente correcto fazer tal afirmação, geram expectativas bastante elevadas, uma vez mais.
★★★★★

Formado em 2016, Bipolar Bows é um duo de cordas (Lotte Remmen, violino e canto; Toby Kuhn, violoncelo) que interpreta um mosaico de folk e música clássica, jazz, blues e funk, que vai desde os Balcãs aos Apalaches. Com uma ligação inabalável, as suas composições são salpicadas de improvisações vindas dos recantos mais profundos da sua mente, que é movida pela curiosidade. Foi a primeira banda anunciada para o Gouveia Art Rock 2026.
★★★★★

Johanne-Margrethe Kippersund Nesdal (voz), Eivind Strømstad (guitarra), Åsa Ree (violino), Ingvild Nordstoga Sandvik (viola), Ole Gjøstøl (teclados), Morten Strypet (baixo) e Mats Fjeld Lillehaug (bateria), são os MEER, prog rockers de Hamar, reputados pelo seu som cinemático, arranjos ricos e narrativa emotiva. Misturando elementos de art rock, pop sinfónico e música progressiva, a banda ganhou atenção internacional pelas suas composições ambiciosas e fortes performances vocais.
Desde o seu álbum de estreia “Meer” (2016), banda tem continuado a refinar o seu estilo distinto, culminando nos aclamados “Playing House” (2021) e “Wheels Within Wheels” (2024), estabelecendo-se como um dos grupos prog modernos mais promissores da Noruega. No Gouveia Art Rock 2026 poderemos perceber porquê.
★★★★★

Os Soft Machine são John Etheridge (guitarra), Theo Travis (saxofone, flauta e piano eléctrico), Fred Baker (baixo) e Asaf Sirkis (bateria). A icónica banda britânica de jazz-rock progressivo, que celebra o seu 60.º aniversário este, o que tornava obrigatória uma passagem no Gouveia Art Rock 2026, é um conceito musical em constante mudança.
A sua formação evoluiu com mais de duas dezenas de músicos que tocaram na banda em álbuns ou ao vivo, como Robert Wyatt, Hugh Hopper, Mike Ratledge, Elton Dean, Karl Jenkins, John Marshall, John Etheridge, Allan Holdsworth, ou os fundadores Daevid Allen e Kevin Ayers, mas também músicos como Jack Bruce, Theo Travis, um dos pilares da banda, e outros. Em Março, na antecâmara do Gouveia Art Rock 2026, a Soft Machine irá lançar álbum de estúdio com a formação actual, simplesmente intitulado “Thirteen”, a que se seguirá uma digressão mundial, com a respectiva paragem no festival luso.
★★★★★

Músico sediado em Liverpool, Dominic Sanderson posiciona-se firmemente no campo do rock progressivo dos anos 70! Com influências que vão desde King Crimson, Van der Graaf Generator e Steven Wilson, até aos incontornáveis da cena de Canterbury, Caravan e Soft Machine, Sanderson traz-nos um som por polir, indómito e agressivo!
Depois de dar os seus primeiros passos no mundo do rock progressivo com o EP “Discarded Memories” (2020) e o seu álbum de estreia, “Impermanence” (2023), gravou “Blazing Revelations”, que entrou em muitas listas dos melhores discos, no final de ano de 2025.
Este álbum apresenta uma variedade eclética de estilos, desde as abordagens sinfónicas de “From the Weeping Cradle” e “Lullaby for a Broken Dream” até aos sabores de Canterbury em “Faithless Folly. Acompanhado por Tristan Apperley (baixo), Jacob Hackett (bateria), Andy Frizell (saxofone, flauta) e Embiye Adalı (teclados), Sanderson comanda uma força a ter em conta em concerto, como exemplificado pelo recente lançamento “Live Revelations”, um álbum ao vivo gravado no Birmingham Symphony Hall.
★★★★★

Após o enorme sucesso que teve no Gouveia Art Rock 2024 (abre link), Hedvig Mollestad está de volta ao festival com um trio diferente. Em Weejuns, os princípios de trechos longos e compostos foram postos de lado, deixando para trás uma porta aberta para um imenso universo de interacção cintilante e estruturas pitorescas, uma sensação de leveza onde o conceito de tempo é disruptivo e os músicos convergem numa grande trilogia.
No entanto, sob tudo isso reside um fascínio por riffs e pulsações vigorosas, associando não só o som grandioso de Terje Rypdal, mas também a transição entre os anos 60 e 70, das eras de “Bitches Brew” de Miles Davis (abre link) e da Mahavishnu Orchestra (abre link). Lançado em 2023, “Weejuns”, o álbum de estreia do trio que, além da guitarrista integra Ståle Storløkken (teclados) e Ole Mofjell (bateria), recebeu críticas entusiásticas. O seu próximo trabalho, “Bitches Blues”, surgirá na véspera do Gouveia Art Rock 2026.
★★★★★

Nascido no Canadá, David Myers toca piano desde os 4 anos e programa teclados desde que adquiriu o seu primeiro sintetizador aos 13 anos. De 1993 a 2009, foi teclista de The Musical Box, a banda tributo aos Genesis mais proeminente do mundo, fazendo várias digressões pela Europa e Américas. David começou a escrever os seus arranjos “Genesis On Piano” em 2005, gravando quatro álbuns e publicando 390 páginas de partituras.
Entre 2010 e 2025, contribuiu com composições originais para 16 dos álbuns de compilação de rock progressivo lançados pelos The Samurai Of Prog. Tal como aconteceu na sua primeira participação no festival em 2010, David está de volta neste Gouveia Art Rock 2026 para tocar os seus brilhantes arranjos de música dos Genesis.
★★★★★

Headliners no Gouveia Art Rock 2026 e um dos momentos mais altaneiros na história do festival. Os TANGERINE DREAM foram fundados por Edgar Froese, em 1967, em Berlim. Desde aí, tornaram-se um dos mais aclamados e verdedeiramente pioneiros actos de música eletrónica. O seu inovador álbum “Phaedra”, lançado em 1974, atingiu o estatuto de disco de ouro no Reino Unido e tornou-se um marco nesse estilo musical. Até à actualidade, o grupo lançou mais de cem álbuns. Alguns deles tiveram um papel fundamental no desenvolvimento do Krautrock e ajudaram a definir a designada Escola de Berlim de música electrónica.
Após a morte de Froese em 2015, a formação dos Tangerine Dream passou a ser composta por Thorsten Quaeschning (desde 2005) como director musical, Hoshiko Yamane (desde 2011) e Paul Frick (desde 2020). Os Tangerine Dream realizaram recentemente concertos no Dekmantel Festival de Amesterdão, Elbphilharmonie Hamburgo, Catedral de Coventry, Knockdown Center Nova Iorque, Barbican Hall em Londres e muitos outros.
O seu mais recente álbum de estúdio, “Raum” (2022), marca o lançamento de maior sucesso da banda desde os anos 80 e foi muito elogiado pela imprensa. Actualmente, os Tangerine Dream encontram-se a trabalhar num novo álbum de estúdio e a celebrar ao vivo o seu vasto catálogo musical com a “Continuum Tour” a atravessar o mundo e a passar no Gouveia Art Rock 2026.
★★★★★

MARKUS REUTER TRUCE é um “power trio” experimental de progressivo de vanguarda liderado pelo guitarrista e compositor alemão Markus Reuter (Stick Men, tu-Ner, Devin Townsend), juntamente com o baixista Fabio Trentini (Moonbound, Le Orme) e o baterista Asaf Sirkis (Soft Machine, Tim Garland, Gilad Atzmon).
O grupo é conhecido pelo seu som “vigoroso” e “corajoso”, pelas suas estruturas complexas e improvisadas, tendo alguém comparado os TRUCE a uma espécie de Jeff Beck a juntar-se aos King Crimson para um golpe grátis. Lançaram três álbuns de estúdio: “Truce” (Moonjune, 2020), Truce 2 (Moonjune, 2022) e “Truce <3” (Iapetus/Moonjune, 2025). Muita expectativa para o concerto no Gouveia Art Rock 2026.
★★★★★

Mais uma lenda no Gouveia Art Rock 2026. Como artista a solo ou integrado na banda que fundou, Van der Graaf Generator, Peter Hammill tem trabalhado como cantor, compositor e músico nos últimos cinquenta e sete anos. Tem sido uma figura influente para outros artistas em muitos campos diferentes e explorou vários estilos musicais ao longo de uma carreira com mais de cinquenta álbuns. Musical e emocionalmente em constante mudança, estes discos desafiam frequentemente a natureza da composição e são caracterizados pelo seu canto apaixonado e composições inovadoras.
Ao longo dos últimos anos do século XX e nos século seguinte, Hammill tem feito digressões pelo mundo, a solo e com várias pequenas formações. Em qualquer destes formatos, é famosa a intimidade e a intensidade das suas actuações. Muita expectativa para o concerto no Gouveia Art Rock 2026.
★★★★★

Uma viagem dum duo, composto por André Cardoso e Miguel Cardoso, num veículo cheio de surpresas! Uma andança divertida onde, da forma mais inusitada e virtuosa, surgem sons e melodias que são paisagens sonoras criadas pela execução musical de instrumentos inventados e construídos pelos CAR12. Uma dramaturgia mágica, humorada e comovente. Enfim, a palavra escondida simbolicamente nos silêncios, sons, gestos, e atitudes teatrais dos intérpretes. Uma proposta diferente (no melhor sentido possível) no Gouveia Art Rock 2026.
★★★★★

“JaNus” é uma ópera-concerto composta por Antoine Arnera, com libreto de Thomas Arnera e do próprio Antoine Arnera, para o projecto Le Grand Sbam (abre link). Em “JaNus”, esta orquestra e coro franceses aborda com humor e poesia uma tentativa de reconexão dos humanos com o mundo dos vivos. “JaNus” mergulha-nos num imaginário desenfreado, abrindo através da música as gaiolas invisíveis construídas pelo medo da nossa civilização no processo de desintegração do mundo. Mais uma proposta “fora-da-caixa” no Gouveia Art Rock 2026.
★★★★★

Arve Henriksen ganhou reconhecimento internacional como um dos trompetistas de jazz/improvisação mais inovadores e expressivos da actualidade. Profundamente interessado na exploração sonora, absorveu elementos de várias tradições folclóricas, integrou processamento electrónico e desenvolveu as suas próprias técnicas vocais. Arve Henriksen lançou 18 álbuns a solo e participou em mais de 230 gravações com outros artistas.
É um músico inovador que explora várias expressões e estilos musicais. Foi membro de vários grupos, incluindo Veslefrekk, Trygve Seim Ensemble, Supersilent, Christian Wallumrød Ensemble, e colaborou com artistas internacionais como John Paul Jones, Imogen Heap, Jakob Bro, Fennesz, Ryuichi Sakamoto, Bill Frisell, Terje Rypdal, Laurie Anderson e David Sylvian. Vai estar no Gouveia Art Rock 2026 com vários convidados em palco.
★★★★★

Anna Maria Friman (voz), Catalina Vicens (órgão portativo, percussão) e Marco Ambrosini (nyckelharpa) trazem outra proposta além do clássico termo prog ao Gouveia Art Rock 2026. O Trio Friman-Vicens-Ambrosini foi fundado em 2018 por este músicos de formação académica e proveniência geográfica diversa. Unidos pelo fascínio em ultrapassar fronteiras musicais, o trio explora uma vasta gama de géneros, misturando de forma fluida elementos das tradições folclóricas, improvisação, música medieval e renascentista, bem como paisagens sonoras contemporâneas.
Para além das suas actuações ao vivo por vários países europeus, o trio gravou um álbum para a prestigiada editora ECM Records, o qual tem lançamento previsto para o corrente ano. A sua estreia em Portugal verificar-se-á no dia 3 de Maio, na Igreja de S. Pedro de Gouveia, fora do programa, mas no âmbito do Gouveia Art Rock 2026 (acesso livre aos lugares disponíveis).
★★★★★

A venda de bilhetes para a edição de do Gouveia Art Rock 2026 arrancou no dia 13 de Fevereiro. A aquisição pode ser feita através da bilheteira electrónica do Teatro Cine Gouveia (abre link). O custo de cada Bilhete para os três dias do festival (doze concertos no total) é de 130 Euros. Já para o Pacote Amigo do GAR (que inclui o bilhete de três dias em lugar central, o programa e o poster) o custo é de 140 Euros.
A programação fo Gouveia Art Rock 2026 que se segue respeita unicamente aos concertos/recitais a ocorrer no Teatro Cine de Gouveia. 1 de Maio – Car12 (Portugal); David Myers (Canada), Bipolar Bows (Bélgica, França); Le Grand Sbam (France). 2 de Maio – Markus Reuter’s Truce (Alemanha/Itália); Hedvig Mollstad Weejuns (Noruega); Peter Hammill (Inglaterra); Arve Henriksen + convidados (Noruega, Suécia); Meer (Noruega). 3 de Maio – Dominic Sandersen (Inglaterra); Soft Machine (Inglaterra); Tangerine Dream (Alemanha).
A abertura do festival realizar-se-á, na noite de 30 de Abril, nos Paços do Município. A entrada é livre, mas limitada aos lugares disponíveis. A programação para este local será anunciada brevemente. Mais informação sobre bilhetes e o seu preço, calendário e programa, disponível no portal do Gouveia Art Rock 2026 (http://www.gaudela.net/gar). Vão acompanhando as nossas actualizações e a página oficial do Gouveia Art Rock no Facebook.
