Mão Morta

Mão Morta, Em Estúdio a Gravar “Viva la Muerte!”

Os Mão Morta estão perto de lançar o novo álbum. As sessões de gravação de “Viva la Muerte!” arrancaram no último fim-de-semana de Setembro de 2024.

Em 2024, os Mão Morta pretendiam celebrar os 50 anos da Revolução de Abril e os 40 anos da banda com o espectáculo “Viva La Muerte!”. Além da componente musical, a iniciativa contempla conferências com politólogos, filósofos e historiadores, relacionadas com as temáticas do espectáculo. A digressão que passará por salas de Braga, Lisboa, Faro, Aveiro, Ourém e Guimarães teve que ser adiada por motivos de força maior, por isso a banda decidiu inverter a ordem dos trabalhos.

Os Mão Morta aproveitaram o adiamento da digressão do novo espectáculo “Viva La Muerte!” para entrarem em estúdio e gravarem os nove temas que o compõem, tendo em vista a edição do respectivo disco quando da data de estreia, a 18 de Janeiro de 2025, no Theatro Circo, em Braga. Assim, no dia 26 de Setembro de 2024 fixaram-se no Arda Recorders, no Porto, para, com Zé Nando Pimenta, darem forma àquele que será o seu 16.º álbum de originais, “Viva La Muerte!”.

O produtor já tem alguns trabalhos realizados ao lado da banda, como, por exemplo, o agressivo “Pelo Meu Relógio São Horas De Matar” (2014)., na altura gravado nos estúdios de Zé Nando Pimenta, os Meifumado, casa da editora homónima. A banda também trabalhou anteriormente nos Arda Recorders, no trabalho que criou em colaboração com Pedro Sousa.

A “ESFERA” foi um projecto que juntou «nomes da música portuguesa que ainda não se tinham encontrado em estúdio». Colaboraram nessa actividade «artistas de vários quadrantes e géneros do universo musical» português, entre os quais, Sensible Soccers com Carlos Maia Trindade, Mão Morta com Pedro Sousa, Joana Gama com Angelica Salvi, Miramar (dupla que junta Frankie Chavez e Peixe) com JP Simões, Adolfo Luxúria Canibal e Haarvol e ainda Manel Cruz com Miguel Ramos e André Tentugal. O projecto resultou de uma residência artística levada a cabo no Estúdio Arda Recorders, em Campanhã, Porto, durante três dias.

As lendas bracarenses criaram “Tricot” com o referido saxofonista. O trabalho que o antecedeu foi “No Fim Era O Frio” (2019), o seu 18.º registo discográfico e o 15.º álbum de originais, cujo sucessor chegará agora. Quanto a “Viva La Murter!”, em comunicado, explica-se o contexto do novo espectáculo/disco: «O ano em que a Revolução de 25 de Abril celebra 50 anos é também o ano do 40.º aniversário de Mão Morta. À primeira vista, estes dois acontecimentos nada têm em comum, não fosse terem sido a liberdade e a democracia trazidas pela Revolução a permitirem a existência da banda, com a sua reconhecida postura estética e a fraturante intervenção social e política».

«Numa época em que o perigo do regresso do fascismo se torna palpável, os Mão Morta não podiam deixar de se manifestar e de denunciar o ar dos tempos», explicam, apresentando o novo ciclo de carreira como um gesto de «comemoração e de alerta, com a composição de temas que irão buscar referências a José Mário Branco, Adriano Correia de Oliveira, Zeca Afonso ou Ary dos Santos, que viveram o fascismo salazarista e encontraram nessa opressão e censura a motivação para criar arte».

Entre as inspirações do concerto e do disco estarão também «as temáticas do fascismo contemporâneo, como o ultranacionalismo bélico, as teorias racistas da ‘grande substituição’, a globalização das teorias conspiracionistas, o ódio ao conhecimento científico e às instituições do saber ou o apelo ao pensamento único, de vocação totalitária». As letras de “Viva La Muerte!” são da autoria de Adolfo Luxúria Canibal, a música de Miguel Pedro e António Rafael e os arranjos de Mão Morta. Os Mão Morta partilharam uma colecção de fotografias alusivas aos primeiros dias de trabalho em estúdio.

Os mais impacientes, poderão saciar-se com a recente edição, literalmente criada por fãs, “Até Cair: As Primeiras Gravações 1985-1986”. Um lançamento de Dezembro de 2023 que compila as raras e arqueológicas demo tapes dos Mão Morta e está disponibilizado no Bandcamp Garagem Records. A fotografia da banda, que abre o artigo, é de Adriano Ferreira Borges.

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