“Mosaico” é o sétimo álbum de Pedro Jóia. Um disco que faz «a junção de pequenas peças, cada uma da sua cor e da sua origem» e onde o virtuoso guitarrista colabora com um conjunto estelar de instrumentistas e explora ainda o potencial de um exótico cordofone turco.
O virtuoso guitarrista Pedro Jóia está de regresso às edições discográficas com o muito aguardado disco de originais “Mosaico”. Depois de “Zeca”, o seu trabalho anterior, ter alcançado o 1.º lugar do top de vendas nacionais, o novíssimo álbum editado pela Sony Music Portugal ficou disponível no dia 23 de Fevereiro de 2024, em todas as lojas e plataformas digitais.
Pedro Jóia, se fosse preciso dizê-lo, é um dos mais prestigiados guitarristas e compositores portugueses. Com quase 30 anos de carreira, explorou diversas influências, fundindo tradição e inovação na sua abordagem musical, e segue em colaborações com alguns dos mais consagrados artistas nacionais e internacionais. Aliás, “Mosaico” é constituído por 10 temas, todos de autoria de Pedro Jóia, excepto “Jula Jekere”, de Mbye Ebrima, tocador de kora, e “Três Pontas”, uma pareceria com o bandolim de Eduardo Miranda, que também participam no álbum, tal como Victor Zamora, ao piano, José Salgueiro, nas percussões e bateria, João Frade, no acordeão, Denys Stetsenko, no violino, Nuno Abreu, no violoncelo, e José Manuel Neto, na guitarra.
«É um disco de música minha, essencialmente, que era uma coisa que eu estava com muita vontade de fazer há vários anos, até porque eu tenho estado, nos últimos anos, a fazer discos temáticos sobre a música de outros, e este disco foi de facto uma coisa que vem cá de dentro, muito da minha intimidade e da minha guitarra, é um disco instrumental com música minha», disse o guitarrista em entrevista à Lusa. «Um disco feito por instrumentistas, com grandes músicos e amigos e nada melhor que nos juntarmos num disco».
Questionado sobre o seu processo de composição, Pedro Jóia afirmou: «O que me faz compor é uma imensa procura no instrumento, porque é daí que vem tudo, digamos, a inspiração, aquilo a que chamamos a inspiração, que é uma coisa um bocado vaga, no sentido em que não acredito muito na inspiração que não vem do nada. A inspiração procura-se e eu procuro-a muito na guitarra. Estas composições são fruto de muita procura no instrumento». Do alinhamento do álbum faz ainda parte “Acqua Alta” (variações sobre dois motivos de Antonio Vivaldi), designadamente o Concerto em sol menor, “Verão”, do compositor barroco.
Outro tema é o “Fadinho do Atentado”, no qual conta com a participação de José Manuel Neto, na guitarra portuguesa, e João Frade, no acordeão. Foi inicialmente composto para a banda sonora – da autoria de Pedro Jóia – da série televisiva “O Atentado” (2020), de Jorge Paixão da Costa. «O tema original vem daí, mas depois regravei-o e convidei o José Manuel Neto e o Frade. Quando compus este fadinho, quis que soasse a uma coisa antiga, dos anos 1930, essa era, aliás, a preocupação que tive na banda sonora, até para ir ao encontro do ambiente da época».
Além da guitarra clássica, neste disco Pedro Jóia toca cumbus, um cordofone turco, cujo formato é semelhante ao do banjo, que o músico comprou em Istambul e que aprendeu a tocar sozinho, contou à Lusa. Já sobre a escolha do título, “Mosaico”, justificou: «O termo ‘mosaico’ é a junção de pequenas peças, pequenas pedrinhas, cada uma da sua cor e da sua origem, e, quando juntei tudo isto, pensei isto é um mosaico de pequenas peças coloridas, cada uma com a sua cor, textura e, além do mais, foneticamente ‘mosaico’ não está muito distante do termo ‘música’».
Este é o sétimo álbum de Pedro Jóia. Pedro Ayres Magalhães deixa o apelo: «Venho convidar cada pessoa a ouvir calmamente este “Mosaico” de novas composições, a sentir com atenção o som puro de cada nota de guitarra, e a apreciar os arranjos dos outros instrumentos presentes, que dançam com toda a simpatia, em cada tema».
