Os Queens of the Stone Age eviscerados em “Alive in the Catacombs”. O documento audiovisual da actuação da banda, em 2024, nas famosas Catacumbas de Paris.
Filmado e gravado em Julho de 2024, “Queens of the Stone Age: Alive in the Catacombs” capta os QOTSA como nunca os viste ou ouviste anteriormente. Esta experiência única apresenta uma lista de músicas cuidadosamente seleccionadas que abrangem o catálogo dos Queens of the Stone Age, cada música escolhida e epicamente reimaginada para as Catacumbas. O resultado é uma encarnação sem precedentes de Queens of the Stone Age no seu estado mais íntimo, mas rodeado por literalmente milhões de restos humanos – «o maior público para o qual já tocámos», diz Joshua Homme no press release que chegou às redacções.
As Catacumbas de Paris são um ossário de 320 km sob a superfície de Paris. Com uma base de vários milhões de corpos enterrados nos anos 1700, os restos de esqueletos estão largamente expostos, com grande parte das paredes construídas com crânios e ossos. Homme sonhava em encenar uma actuação dos Queens of the Stone Age nas Catacumbas desde a sua primeira visita, há quase 20 anos. A cidade de Paris, no entanto, nunca havia concedido permissão a nenhum artista para tocar dentro dos túneis semi sacros. Os QOTSA, como cidadãos cumpridores da lei, esperaram até que a sua visão fosse sancionada.
Hélène Furminieux (Les Catacombes de Paris) declarou: «As Catacumbas de Paris são um terreno fértil para a imaginação. Para nós, é importante que os artistas se apropriem deste universo e ofereçam-lhe uma interpretação sensível. Ir ao subsolo e confrontar-se com reflexões sobre a morte pode ser uma experiência profundamente intensa. Josh parece ter sentido no seu corpo e na sua alma todo o potencial deste lugar. As gravações ressoam perfeitamente com o mistério, a história e uma certa introspecção, notavelmente perceptível no uso subtil do silêncio dentro das Catacumbas».
Cada decisão estética, cada escolha de música, cada configuração de instrumentos… Absolutamente tudo foi planeado e tocado com deferência para com as Catacumbas – desde a acústica e os sons do ambiente – água a pingar, ecos e ressonâncias naturais – até aos tons de iluminação sombrios e atmosféricos que realçam a música. Longe dos limites do isolamento acústico do estúdio ou do conforto dos monitores no palco, “Alive in the Catacombs” vê a banda não só a enfrentar este desafio, mas a abraçá-lo.
Homme recorda: «Surgimos tão despojados porque aquele lugar é tão despojado, o que torna a música tão despojada, o que torna as palavras tão despojadas… Seria ridículo tentar fazer rock ali. Todas essas decisões foram tomadas por aquele espaço. Esse espaço dita tudo, é ele que manda. Fazes o que te mandam quando estás lá dentro».
O resultado é Queens of the Stone Age destilado até à sua forma mais elementar – Homme, Troy Van Leeuwen, Michael Shuman, Dean Fertita e Jon Theodore aumentados por uma secção de cordas de três elementos, empregando correntes e chopsticks como instrumentos de percussão improvisados. “Alive in the Catacombs” é Queens of the Stone Age despidos da sua essência mais básica por necessidade (não se pode chamar-lhe “unplugged” se não houver tomadas eléctricas para ligar), utilizando uma bateria de carro para alimentar um piano eléctrico. E sem filtros, uma vez que cada canção foi gravada ao vivo num take completo, sem overdubs ou edições.





As palavras não conseguem transmitir a magnificência de “Queens of the Stone Age: Alive in the Catacombs”. O seu equilíbrio verdadeiramente impressionante de subtileza e grandeza tem de ser experimentado para ser apreciado. A beleza está na luta (interna e externa). Este é Joshua Homme no seu estado fisicamente mais vulnerável, mas, em última análise, mais triunfante.
“Queens of the Stone Age: Alive in the Catacombs” foi produzido pela La Blogothèque e realizado por Thomas Rames, e está a ser lançado pelos Queens of the Stone Age e pela Matador Records.
A foto que abre o aertigo é de Andreas Neumann.
