Pegando em todas as pontas das suas alargadas possibilidades musicais, os Spiritbox promovem um jogo de múltiplos contrastes dinâmicos e intensidade emocional em “Tsunami Sea”.
Para muitos artistas, uma ascensão meteórica pode muitas vezes significar um plateau inadvertido. No entanto, para os Spiritbox essa ascensão mantém-se uma constante. Formados em 2017 na pitoresca, mas isolada região de Victoria, British Columbia, Canadá, pela vocalista Courtney Laplante e pelo guitarrista Mike Stringer, os Spiritbox cimentar-se-iam como um nome familiar no Verão de 2020, através do lançamento do empolgante tema“Holy Roller”, seguido por uma série de outros singles igualmente cativantes pouco depois, resultando numa tempestade de hype nos meios de comunicação social.
Com uma súbita legião de fãs a observar ansiosamente os passos seguintes, os Spiritbox excederam todas as expectativas com o lançamento do seu álbum de estúdio de estreia “Eternal Blue”, via Pale Chord/Rise Records em 2021. “Eternal Blue”, que estreou no 13.º lugar na Billboard 200, abriu as portas do mainstream à cena heavy metal e redefiniu vários manuais com 12 malhas que incorporaram tudo, desde djent e pós-metal a sensibilidades pop carregadas de sintetizadores infecciosos e arranjos cinematográficos, trazidos à vida pelas inimitáveis, etéreas e poderosas prestações vocais de Laplante.
O ciclo do álbum “Eternal Blue” viu os Spirtbox não apenas adornar as capas de publicações musicais conceituadas como Revolver, Alternative Press, Rock Sound e Kerrang!, entre muitas outras, mas também solidificou a banda como uma das mais requisitadas ao vivo, com a sua tour cem por cento esgotada (a primeira tour em headlining em apoio ao álbum). A banda também partilharia o palco com veteranos do metal como Limp Bizkit e Ghost e ganharia o prémio de Melhor Banda Internacional Revelação nos 2021 Heavy Music Awards.
Já em 2022, os Spiritbox garantiram lugar em vários dos principais festivais de rock e metal dos EUA e foram nomeados para dois prémios JUNO. Nesse período, os Spiritbox também completariam a sua formação actual com a inclusão do baterista Zev Rose e do baixista Josh Gilbert, além de lançarem o EP “Rotoscope” (em Junho daquele ano), bem como uma colaboração com o artista de dubstep Illenium para a malha “Shivering”.
Durante outro ano bastante rico em eventos para a banda, incluindo uma digressão nos EUA com Shinedown e Papa Roach, os Spiritbox escreveram e gravaram o EP aclamado pela crítica, “The Fear of Fear”, lançado em Novembro de 2023. O EP inclui o single “Jaded”, que foi nomeado para Melhor Performance de Metal na cerimónia dos 66th Annual Grammy Awards, já em 2024. Nesse mesmo mês, a banda tornou a forçar as barreiras de géneros musicais com uma colaboração com a rapper Megan Thee Stallion, para uma remix da sua música “Cobra”. Para aumentar esee ímpeto, os Spiritbox tornaram a juntar-se a Megan Thee Stallion, para o seu álbum “MEGAN: ACT II”, acrescentando a sua visãodistinta à canção “TYG”.
Os Spiritbox encerraram um ano marcante com a sua segunda nomeação para o GRAMMY de Melhor Performance de Metal na edição de 2025, desta vez através da sua poderosa malha “Cellar Door”, cimentando o seu estatuto como uma força motriz do metal moderno.
O que quer que viesse a seguir para os Spiritbox, uma coisa parecia certa: esperar o inesperado e um compromisso firme para criar música totalmente autêntica com paixão, foco e evolução constante. Foi assim que chegámos ao dia 7 de Março de 2025 e a “Tsunami Sea”, uma vez mais uma edição via Pale Chord em parceria com a Rise Records. O álbum foi produzido por Dan Braunstein e Mike Stringer, misturado por Zakk Cervini e masterizado por Ted Jensen.
Em “Tsunami Sea”, a capacidade dos Spiritbox para transcender géneros apenas ampliou o seu alcance, todavia os pressupostos fundamentais da banda permanecem intactos. O espectro estético da voz de Courtney Laplante parece não ter limites, os ritmos complexos, a distorção avassaladora, a profundidade das guitarras limpas continuam a exercer um magnetismo irresistível. Seguindo a ponte erigida pelo EP “The Fear of Fear”, que uniu os elementos primordiais da banda com a sua vontade de explorar novas hipóteses sónicas, “Tsunami Sea” é cada vez mais orelhudo e cheio de ganchos melódicos.
Por exemplo, “No Loss, No Love” é uma odisseia fluida de géneros que colide perfeitamente com pulverizante prog-metal, electrónica hipnótica e assombrosas passagens de spoken-word. Courtney LaPlante está no auge da sua forma, com a sua voz a ir das profundezas guturais à serenidade de um androide, canalizando tanto o poder bruto como o distanciamento misterioso. A malha dá voltas e reviravoltas, passando de uma tensão sinistra para um crescendo de caos rodopiante e parece partilhar genética com “Yellow Jacket” de “Eternal Blue”.
“Perfect Soul”, outro dos singles, reflecte o som melódico do álbum, equilibrando riffs e groove com atmosferas etéreas para criar essa experiência auditiva que atrai os ouvintes como uma maré que se aproxima. “Soft Spine” pega na energia agressiva da banda e transforma-a com o desempenho vocal imponente de LaPlante e a intensidade instrumental. Duas faces da mesma moeda.
Perda, reflexões pessoais, perfeccionismo, cura através da paixão, retenção apesar do desejo, medos primários, surrealismo e absurdo. São tópicos explorados através de barragens de amplificação e bateria ou candura pop, em inúmeros jogos de contrastes dinâmicos – tantas vezes repetidos e nada aborrecidos – sem nunca perder intensidade emocional.

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