SWR 27

SWR 27: Sarcófago Flagelam Barroselas

Entre 29 de Abril e 2 de Maio de 2027, torna a realizar-se o SWR em Barroselas. O primeiro avanço do cartaz do Steel Warriors Rebellion dá-nos vinte nomes, com Sarcófago, Sabbat e Bölzer na linha da frente.

O SWR Barroselas Metalfest regressa ao Minho entre 29 de Abril e 2 de Maio de 2027, e a primeira vaga de confirmações para a 27.ª edição deixa desde logo uma coisa clara: a organização continua a procurar no underground aquilo que outros festivais dificilmente se dão ao trabalho de procurar.

Entre nomes históricos, culto subterrâneo, novas propostas e algumas escolhas que atravessam fronteiras estilísticas sem grande preocupação com etiquetas, o primeiro avanço do cartaz do SWR 27 junta Sabbat, Sarcófago, Bölzer, Metalucifer, Hexvessel, Cruel Force, Possession, Phrenelith, Power From Hell, Iron Lung, Nubivagant, Vácuous, Abduction, Gutslit, Scorpion Milk, Hedonist, Crucivore, Sardonic Witchery, Válvera e Ashes Reborn. E ainda faltam mais de vinte bandas para completar os dois palcos.

Há nomes que, por si só, justificariam uma passagem por Barroselas. Sarcófago é um deles, embora aqui seja importante fazer uma distinção. A presença anunciada assenta no legado da banda e no seu repertório, nomeadamente o über clássico The Laws Of Scourge, mas não corresponde a uma reunião da formação clássica: o único elemento original envolvido é o baixista Gerald Incubus.

Isso não apaga a importância histórica do nome nem o atractivo de ouvir ao vivo no SWR 27 material que ajudou a definir uma determinada ideia de metal extremo brasileiro, mas coloca a actuação no seu devido contexto. É Sarcófago enquanto legado, repertório e peso histórico — não a formação clássica reunida em palco.

Se há outro nome desta primeira vaga que merece destaque especial, é Sabbat. Os japoneses de Gezol são uma das instituições do black/thrash underground mundial, com uma história que remonta a 1984 e uma discografia construída à margem de tendências e modas. A sua mistura de heavy metal, thrash, black metal e uma estética assumidamente devota ao lado mais obscuro do género tornou-os uma referência para várias gerações de bandas extremas.

Ver os Sabbat como cabeças de cartaz em Barroselas é, por isso, uma escolha particularmente feliz: não apenas pelo estatuto histórico da banda, mas porque representa exactamente aquela espécie de culto subterrâneo que o SWR ajudou a preservar e a colocar diante de públicos sucessivos ao longo das suas décadas de existência.

Ao lado destes nomes, Bölzer traz uma das linguagens mais singulares que o metal extremo desenvolveu nas últimas décadas. A dupla suíça, cuja presença no SWR 26 acabou por ser adiada devido a problemas de saúde, regressará finalmente a Barroselas depois de ter prometido voltar em 2027. O seu black/death metal de enorme densidade, construído em torno da guitarra de Okoi e da bateria de HzR, tornou-se progressivamente uma coisa própria, reconhecível ao primeiro riff.

Se há bandas que encaixam naturalmente na tradição de Barroselas, os Metalucifer são-no sem sombra de dúvida. Os japoneses transformaram a devoção ao heavy metal tradicional numa espécie de religião própria, com riffs, couro, denim e uma paixão assumidamente anacrónica por tudo aquilo que o género representou antes de começar a preocupar-se demasiado consigo próprio. É precisamente este tipo de culto específico — levado a sério sem perder o prazer — que tantas vezes encontra no SWR o seu contexto ideal.

Também Cruel Force pertence a essa linhagem de bandas que entendem o metal como matéria física antes de qualquer outra coisa. O speed/thrash alemão recupera a rudeza dos primeiros anos do género sem tentar modernizá-la, enquanto os britânicos Possession acrescentam ao cartaz uma dimensão mais negra e ritualista. No death metal, os dinamarqueses Phrenelith representam uma das correntes mais interessantes da actual escola subterrânea europeia: som cavernoso, pesado e suficientemente desprovido de ornamentos para deixar os riffs fazerem o trabalho.

A componente mais experimental do primeiro anúncio passa, em boa medida, por Hexvessel e Iron Lung. Os finlandeses têm desenvolvido uma linguagem onde psicadelismo, folk, rock e uma certa espiritualidade pagã se cruzam sem obedecerem às fronteiras habituais do metal. Os norte-americanos Iron Lung, por outro lado, trabalham a matéria mais abrasiva do hardcore e do noise, levando para Barroselas uma energia que ajuda a impedir que o cartaz se transforme numa simples sucessão de variantes do metal extremo.

Nubivagant, projecto de Omega, conhecido também pelo trabalho à frente de Darvaza, acrescenta outra camada ao lado mais ritualista do cartaz. Vácuous representa o death metal londrino de contornos mais contemporâneos, enquanto os franceses Abduction mergulham numa combinação particularmente atmosférica de black metal e melancolia. Gutslit, da Índia, trazem o seu brutal death metal, reforçando a dimensão internacional de um alinhamento que continua a procurar geografias fora do circuito europeu mais previsível.

Há ainda espaço para coisas difíceis de arrumar numa única gaveta. Scorpion Milk movimenta-se por terrenos onde pós-punk, noise e uma estética mais decadente se encontram; Hedonist recupera uma abordagem crua e primitiva ao metal; Crucivore acrescenta mais uma dose de peso subterrâneo; e Sardonic Witchery regressa à tradição mais venenosa e despojada do black metal. Do lado sul-americano, Válvera representa o Brasil com uma abordagem mais próxima do heavy/thrash, enquanto Ashes Reborn completa esta primeira vaga.

O resultado é um cartaz que, nesta fase, parece menos interessado em apresentar uma determinada tendência dominante do que em reunir diferentes manifestações daquilo que continua a existir fora do centro do circuito. Há death metal, black metal, speed, thrash, doom, hardcore, noise, psicadelismo e formas mais difíceis de catalogar, mas a coerência não está necessariamente no género. Está na relação das bandas com a música que fazem e com as comunidades que continuam a sustentá-la.

É também por isso que os primeiros nomes do SWR costumam ser mais interessantes quando vistos em conjunto do que individualmente. Barroselas não precisa de construir um cartaz em torno de meia dúzia de nomes gigantes para justificar a viagem. A sua força histórica esteve precisamente na capacidade de colocar no mesmo espaço bandas que o público já conhece, nomes que ainda está a descobrir e outras que provavelmente só serão vistas por uma fracção daquele mesmo público.

A ROMA INVERSA é orgulhosamente media partner oficial do SWR 27. Os passes gerais e bilhetes diários estão disponíveis através do site oficial do SWR Barroselas Metalfest, com o habitual X-MAS PACK (bilhete 3 dias + t-shirt especial + copo + saco). O envio por correio irá iniciar-se a 10 Dezembro de 2025 por ordem de compra, por isso apressem-se nas reservas para ofertas de Natal.

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