“O Ferroviário”, novo trabalho de originais em formato instrumental de Um Corpo Estranho, resulta da colaboração do duo setubalense com o Festival Filmfest, para o qual foram convidados, em 2022, a criar a banda sonora musicada ao vivo para o filme “The Railroader”, de Buster Keaton.
Em 2022, os Um Corpo Estranho arrojaram-se a musicar ao vivo o filme “The Railroader”, de Buster Keaton, numa iniciativa inserida no Filfest. Não é inédito, esta coisa de criar bandas-sonoras em tempo real, durante a exibição de películas, mas é sempre um feito assinalável. E a vontade de criar um disco da experiência perdurou nos músicos, resultando numa viagem instrumental de 16 temas, estações que se vão seguindo e contando as várias peripécias vivenciadas numa grande viagem onírica.
A relação de João M. Mota e Pedro Franco com a área do cinema e do teatro também já não é exactamente uma novidade, tendo ambos como Um Corpo Estranho criado e editado já vários trabalhos como “A Velha Ampulheta” e “Homem Delírio” do criador Ricardo Mondim, “O Homem Almofada” (baseado no universo de Paula Rego) de Sylvan Peker ou, mais recentemente, “Quis saber quem sou”, a última curta-metragem do realizador António Aleixo, com o tema “O Puto e o Velho”.
O single de estreia de “O Ferroviário” tem o mesmo nome do álbum e conta com vídeo produzido pela GARAGEM e realizado por Pedro Estevão Semedo, com direção de fotografia de Mário Guilherme. A produção do disco esteve a cargo de Sérgio Mendes e da própria dupla, voltando a contar com o carimbo da editora Malafamado Records.
Percorrido por cativantes leitmotivs, criando a sensação tradicional de coerência narrativa das bandas-sonoras – João M. Mota e Pedro Franco fazem-no com proximidade estética a Ennio Morricone (pensar no malandro Cheyenne deixa-nos um enorme sorriso nos lábios) ou Dead Combo – o álbum terá edição física em Setembro de 2024, mas já pode ser escutado digitalmente, basta visitarem o Bandcamp de Um Corpo Estranho ou activarem o player seguinte…
A foto da banda é de Marta Banza.

Um pensamento sobre “Um Corpo Estranho, O Ferroviário”