O percurso ascendente dos Vulfpeck coroado diante do mítico Madison Square Garden esgotado. Um dos melhores álbuns ao vivo de sempre e um excelente ponto de entrada para conhecer uma banda fenomenal, a partir tudo no topo das suas capacidades.
Os Vulfpeck formaram-se em 2011, reunindo vários músicos formados na Universidade do Michigan. Desde o início, foi principalmente na estrada que cimentaram a sua reputação e criaram condições para a sua feroz independência, tendo lançado, pela sua própria label, toda a sua discografia que, actualmente, compreende quatro EPs e meia dúzia de LPs.
O EP “Mit Peck” (2011) e o primeiro disco “Vollmilch” (2012) receberam elogios da crítica e ajudaram a consolidar a reputação dos Vulfpeck como um dos grupos mais estimulantes no actual cenário da música independente. Em 2014 lançaram o álbum “Sleepify”, um projecto que consistia em dez faixas de silêncio. Apesar de o álbum ter sido removido pelo Spotify, a estratégia de marketing gerou uma grande atenção dos media e consolidou a sua reputação enquanto banda inovadora e disruptiva.
Nos anos seguintes, os Vulfpeck continuaram a conquistar o público e a crítica com o lançamento de discos como “Thrill of the Arts” (2015), “The Beautiful Game” (2016) e “Hill Climber” (2018). “Shvitz”, editado em 2022, é o mais recente e mantém a energia em alta e o bom humor que os caracteriza. Estes registos mostravam uma banda com vontade de fazer diferente, dialogando com outros géneros e colaborando com outros artistas. Mas a fama da banda advém, sobretudo, como já referimos, das suas apresentações ao vivo, sempre emocionantes, com uma presença em palco verdadeiramente carismática e uma química rara entre os membros da banda.
Este percurso tem o seu pico na data esgotada no mítico Madison Square Garden. Os Vulfpeck são uma das poucas bandas a conseguir tal feito sem ter atrás de si uma agência ou uma editora mainstream. Esse magistral concerto foi filmado por Ryan Lerman e Theo Katzman (na maioria do tempo em modo single shot absolutamente épico). Foi editado em Dezembro de 2019 (podem comprar o álbum no Bandcamp) e integralmente disponibilizado em filme, de forma totalmente grátis (podem disparar no player em baixo).
Os músicos são, e perdoem a meticulosa lista, mas nunca foi tão merecida: Michael Winograd (clarinete); Jack Stratton (bateria, guitarra e teclas); Woody Goss (teclas); Theo Katzman (voz, bateria, guitarra); Cory Wong (guitarra); Joey Dosik (voz, teclas, saxofone); Richie Rodriguez (percussão); Joe Dart (baixo); Melissa Gardiner (trombone); Nate Smith (bateria); Dave Koz (saxofone soprano curvo); Chris Thile (bandolim); Charles Jones (voz, teclados); Ryan Lerman (guitarra); Antwaun Stanley (voz); Mark Dover e Chris Grymes (clarinetes).
Juntos e sob a liderança tão descontraída quanto frenética de Jack Stratton, Theo Katzman e Joe Dart, além da impetuosidade de Cory Wong, os Vulfpeck criam um concerto absolutamente espetacular, um vendaval de semicolcheias, de groove e assombro técnico, com os focos a recaírem sob os vários músicos a cada momento, com um Madison Square Garden a rebentar pelas costuras e a vibrar com cada segundo deste empolgante concerto. Quando se escreve «a vibrar com cada segundo do concerto», leia-se a cantar, literalmente, a linha de baixo de “Dean Town”, já perto do final, por exemplo. Esse tipo de vibrar e esse tipo de malhas.
Avancem como melómanos, como fãs ou não dos Vulfpeck, como fãs de “Motown-e-Jackson-5-meets-LCD-Soundsystem” ou como músicos (porque esta é daquelas bandas para músicos também), certos de que este álbum entra de caras naquelas listas de melhores álbuns ao vivo de sempre. A soberba qualidade de som que se ouve foi produção de Jack Stratton, com a mistura e masterização de Caled Parker à gravação de Jake Hartsfield (também responsável pelo som FOH).
Respirem fundo e disparem o player. Atenção: Quando começarem a sua reprodução não vão conseguir pará-lo até que termine!

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