Weather Systems

Weather Systems, Ocean Without a Shore

Em “Ocean Without A Shore”, álbum de estreia de Weather Systems, o multi-instrumentista e dínamo criativo dos Anathema Daniel Cavanagh (ladeado por Daniel Cardoso) oferece-nos um trabalho que cria pontes com o passado da icónica banda britânica, cheio de sofisticação instrumental e elegância musical.

A música permite-nos canalizar emoções, pensamentos e verdades demasiado transcendentes para uma simples conversa. Em essência, ela quebra barreiras e permite o discurso num plano superior. Daniel Cavanagh sempre comunicou através da sua música. Ao longo de três décadas como cofundador, guitarrista principal e compositor dos Anathema, conquistou gerações de fãs, lançando álbuns aclamados mundialmente e esgotando salas de espetáculo sagradas. Agora, ao leme dos Weather Systems, aproxima o público mais do que nunca, não só retomando de onde parou, mas também avançando confiante na sua jornada criativa.

Em 2019, Cavanagh mergulhou na escrita do que acreditava ser a próxima colecção de canções dos Anathema. Dois anos antes, o marcante grupo britânico alcançou vários marcos críticos e comerciais com o LP “The Optimist”. Levou para casa o “Álbum do Ano” nos Progressive Music Awards, marcou a sua segunda entrada no Top 40 da tabela de álbuns do Reino Unido e encerrou 2017 nas listas de fim de ano da AXS, Classic Rock, Metal Hammer e The Independent, para citar alguns meios.

Em estúdio, Cavanagh atingiu o seu ritmo criativo com uma miríade de material elegantemente pesado e enigmaticamente fascinante. No entanto, em 2020, a banda entrou em hiato por tempo indeterminado. Como tal, a maior parte deste “Ocean Without A Shore” teve origem durante essas sessões dos Anathema e Daniel Cavanagh terminou a música acompanhado por alguns rostos familiares. Mais uma vez, voltou a trabalhar com o produtor de “The Optimist”, Tony Doogan [Mogwai, Belle & Sebastian].

Ao lado do ex-baterista dos Anathema, Daniel Cardoso, que também aqui surge atrás do drumkit e como Director Musical ao vivo, e das performances de Cavanagh na voz, piano, piano elétrico, teclados, vocoder, guitarras eléctrica e acústica, baixo e programação, o álbum conta com as vozes de Soraia, Petter Carlsen, Oliwia Krettek e Paul Kearns. Os Weather Systems estrearam a 27 de Setembro de 2024 o seu aguardado álbum de estreia, intitulado “Ocean Without A Shore”, através da Music Theories Recordings.

Tal como tudo o que Dani Cavanagh fez até agora, o som de Weather Systems tem o poder de criar ligações. Refere o guitarrista, a esse respeito, que «os Anathema nunca tiveram ‘fãs casuais’. A música era tão intensa e emocional, e as pessoas eram afectadas por ela a um nível profundo. Respeito muito isso e tento escrever música que ressoe nos corações e almas dos ouvintes. Espero que os console». De facto, se pensarmos na fase final dos Anathema, este álbum limita-se a dar-lhe sequência. E, nesse aspecto, não desilude minimamente.

Com ligações a canções e álbuns anteriores, este álbum de Weather Systems é a ponte perfeita entre estas duas eras; reactivando inteligentemente a marca, através da óbvia referência ao 9.º disco dos britânicos. A abertura de 9 minutos, “Synaesthesia”, é uma peça encantadora, intrincada e emocional que estabelece um tom dramático e uma beleza serena para todo o álbum, à medida que o ouvinte se depara com a brilhante e gradual acumulação de tensão, em oposição aos pontos culminantes e contrastantes que surgem posteriormente.

“Do Angels Sing Like Rain?” é outra malha de surpresas e revigorante, uma das mais memoráveis deste álbum, seguida por ‘Untouchable Part 3’, uma bela adição às entradas anteriores que aparecem em ‘Weather Systems’ de 2012. “Ghost in the Machine” é bastante cativante, enquanto “Are You There” é realmente atmosférica, com um desenvolvimento post rock. As duas malhas seguintes – “Still Lake” e “Take Me With You” – são esforços art rock bastante intrincados, com muita instrumentação electrónica, que desembocam na misteriosa e inesperada canção que empresta o título ao disco.

“Ocean Without A Shore” encerra com “The Space Between Us”, boa entrada no álbum. Todo o trabalho dos Weather Systems flui naturalmente entre construções de post rock e paisagens sonoras de art rock (pop/prog alternativo?), com uma atmosfera suavemente melancólica, enquanto os vocais confiantes de Daniel Cavanagh (parece ser essa a maior diferença para a antiga banda) guiam o ouvinte através do reino através de um álbum de estreia quase perfeito, até pelas pontes que estabelece entre os Anathema e os Weather Systems.

Um pensamento sobre “Weather Systems, Ocean Without a Shore”

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