Partindo do peso esmagador e da crudeza da produção original de Jeff Olsen, Billy Barnett remisturou e remasterizou triunfalmente “Atma”, dos Yob. A versão Deluxe é uma magnífica reedição da Relapse Records em 2022.
Quando anunciaram um sucessor para The Great Cessation, a reputação dos titãs riffeiros de Eugene, Oregon, estava nos píncaros e era difícil prever que a aclamação do álbum de 2009 pudesse ser suplantada. Afinal, até uma publicação como o New York Times havia solenemente declarado o trio liderado por Mike Scheidt como uma das melhores bandas dentro do espectro do doom metal.
Mas em 2011, Atma superou todas as expectativas (e mais algumas). Revelou-se como o mais esteticamente variado, o mais dinâmico e progressivo álbum da banda até aí, sem que os Yob abdicassem de nada do peso que os tinha tornado uma referência do doom metal. Pelo contrário: há riffs em Atma que parecem ter sido concebidos para a guitarra de Scheidt ocupar todo o espaço disponível, enquanto a bateria de Travis Foster e o baixo de Aaron Rieseberg dão ao disco uma pulsação muito mais flexível do que a monumentalidade dos Yob poderia fazer supor.
Na verdade, da nossa parte, permanece o favorito na discografia dos norte-americanos, apesar dessa obra-prima que é Our Raw Heart — não nos recordamos de um outro álbum com um título tão ilustrativo da sua música. O peso emocional desse disco, que revolve em torno dos graves problemas de saúde que Scheidt enfrentou, redimensiona o habitual peso sonoro da banda, tornando-o esmagador. Seguimos com atenção os Yob desde The Illusion Of Motion, tendo ouvido os dois primeiros álbuns numa fase posterior, e ainda que Our Raw Heart seja o seu melhor álbum, Atma continua a ser o nosso preferido da banda.
Talvez porque Atma foi erigido a partir do peso esmagador e do sentido épico manifestado até aí e, ao mesmo tempo, abriu as portas ao som mais abrangente dos fenomenais discos que o seguiram, Clearing The Path To Ascend (2014) e o já referido Our Raw Heart (2018). Há aqui uma espécie de ponto de equilíbrio entre os Yob que tinham aprendido a fazer do riff uma massa arquitectónica e que começariam a explorar cada vez mais o silêncio, a melodia, a dinâmica e a dimensão espiritual da música.
Sempre esotérica, a lírica de Scheidt tornou-se vigorosa e introspectivamente pessoal, redimensionando-se espiritualmente e tornando-se alegre, majestática e triunfalmente optimista. Seja qual for o álbum que preferem dos Yob, nunca estarão errados. Todavia, Atma é axiomático.





Com o décimo aniversário da sua edição original assinalado em Agosto de 2021, as contigências pandémicas e o congestionamento das fábricas de vinil empurraram uma reedição física para uma data algo desfasada, mas ainda assim muito bem-vinda. A label recrutou Billy Barnett para remisturar e remasterizar o disco original, também ele com um fenomenal som produzido por Jeff Olsen, mas agora dotado de, refere a própria banda, maior headroom – com mais detalhes dinâmicos, de espaço e volume.
Disponível digitalmente (no player em baixo), a Relapse libertou a reedição física “Atma (Deluxe Edition)” no dia 8 de Abril de 2022. Há várias opções de vinil, CD e cassete. Podem consultar as opções AQUI.

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