2025 marca um quarto de século de existência dos Yob. Os titãs do doom metal vão celebrar o aniversário de várias formas ao longo do ano. Para começar, voltamos ao início, com a reedição limitada da demo tape original da banda.
Há bandas que fazem doom metal. E há bandas que encarnam o espírito do doom, distorcendo não apenas cordas e amplificadores, mas a própria percepção do tempo e da existência. Os Yob pertencem a esta última categoria. O trio de Eugene, Oregon, ergue-se como um monólito do género, não apenas pelo peso esmagador das suas composições, mas pela transcendência espiritual que evocam.
Desde os primeiros dias, quando Mike Scheidt começou a esculpir a identidade sonora da banda, Yob sempre teve como predicado uma experiência de imersão total. A sua música não é só densa; é tectónica. Cada riff prolonga-se como um mantra, oscilando entre o desespero e a catarse, enquanto a voz de Scheidt alterna entre o lamento e a fúria, entre o murmúrio contemplativo e o uivo primal. Se o doom metal tradicional bebe da melancolia sabbathiana, Yos leva essa herança ao extremo, criando longas e vastas composições que oscilam entre a depressão cósmica e a euforia apocalíptica.

Os primeiros discos, como Elaborations of Carbon (2002) e Catharsis (2003), já davam indícios de que a banda não se contentaria em ser apenas mais um nome no underground. Mas foi com álbuns como The Illusion of Motion (2004) e The Unreal Never Lived (2005) que Yos se cimentou como uma força inigualável no doom metal. Canções como “Quantum Mystic” (de onde brotou um pedal) ou “Ball of Molten Lead” não são apenas exercícios de peso extremo; são jornadas existenciais em que o ouvinte se perde e se reencontra.
Após um hiato em meados dos anos 2000, Scheidt ressurgiu com uma energia renovada, e Yob atingiu um novo pico criativo. Atma (2011) trouxe um lado ainda mais visceral e agressivo, enquanto Clearing the Path to Ascend (2014) foi um disco de revelação e renascimento, carregado de uma espiritualidade avassaladora. Mas foi Our Raw Heart (2018) que elevou Yob ao estatuto de mestres absolutos do género. Escrito num período em que Scheidt enfrentava graves problemas de saúde, este álbum é uma ode à resiliência, à dor e à gratidão – um trabalho que transcende a música para se tornar um testemunho da própria condição humana.
No cânone do doom, há muitos nomes essenciais, mas poucos atingem a pureza sónica e filosófica dos Yob. Se o metal, na sua essência, é uma celebração do peso – tanto musical como existencial – então esta é uma das suas formas mais puras. Porque, no final, Yob não é apenas doom metal. Yob é uma experiência, um ritual, um portal. Uma banda que está a celebrar o seu 25.º aniversário em 2025 e deu origem a essas celebrações com a reedição em cassete, em tiragem limitada, da sua demo tape, acompanhada pelas palavras de Mike Scheidt no Bandcamp oficial.
«Originalmente lançada em CDR em 2000, com um lançamento limitado em vinil em 2009, temos o prazer de disponibilizar a demo original dos Yob em formato digital pela primeira vez através do Bandcamp. É uma viagem voltar a ouvir estas canções, originalmente gravadas no Outono de 1999.
Pela minha parte, tinha 29 anos, com gémeos de 4 anos e um bebé recém-nascido. O tempo era escasso, mas eu tinha estas músicas e queria gravá-las. Adorava o doom e o stoner rock da altura, e isso nota-se. A música dos Yob começou a mudar e a evoluir quase imediatamente após esta demo, mas mesmo assim, com todos os percalços, gravar a demo foi realmente excitante.
Era um fim em si, sem planos de fazer dela uma banda de verdade. Isso mudou muito rapidamente, depois que decidi enviá-la para o Stonerrock.com para ser analisada. As coisas ganharam vida própria a partir daí. Avançando rapidamente até agora, ouço estas músicas como as cartas de amor incipientes, imperfeitas, mas sinceras que elas eram. Este foi o começo. Apreciem!»
