Nuns míseros cinco anos, muita água correu após o cisma com Ozzy Osbourne. Tony Iommi recorda a surreal e ébria reunião dos Black Sabbath no Live Aid, em 1985.
Ozzy Osbourne tinha saído dos Black Sabbath há apenas cinco anos quando se deu o gigantesco evento Live Aid, no Verão de 1985, mas muita coisa aconteceu durante esse tempo. Ozzy estabeleceu-se como uma superestrela a solo com “Blizzard of Ozz”, de 1980, e até conseguiu aguentar-se após a trágica morte do guitarrista Randy Rhoads, dois anos depois.
Os restantes membros dos Black Sabbath continuaram com dois álbuns incríveis com Ronnie James Dio como frontman, mas tiveram tantas dificuldades quando Ian Gillan, dos Deep Purple, assumiu o comando que a sua desastrosa digressão promocional foi uma das principais inspirações para o filme “This Is Spinal Tap”.
As coisas estavam de tal modo que os Black Sabbath eram essencialmente inexistentes quando receberam a chamada para se juntarem aos Led Zeppelin, aos Who e a tantos outros e reunirem-se para o Live Aid. «Provavelmente pensámos que poderia ser o primeiro passo para nos voltarmos a juntar», escreveu Tony Iommi no seu livro de memórias de 2011, “Iron Man”.
Na ocasião do 35.º aniversário do evento, o guitarrista dos Black Sabbath recordou, em conversa com a SiriusXM: «Foi óptimo estar com os rapazes outra vez. Foi um pouco surreal, para ser honesto, porque basicamente eu estava a trabalhar em estúdio. Foi uma coisa invulgar para nós virmos do estúdio e, de repente, estarmos no palco em frente a todas as pessoas. Nunca tínhamos feito isso antes. Sempre ensaiámos para um espetáculo a sério durante algum tempo, mas isto foi como um ensaio rápido de uma hora e no dia seguinte estávamos no palco».
«Chegámos ao local de ensaio e era suposto ensaiarmos três canções. Em vez de o fazermos, acabámos por falar dos velhos tempos… Depois, voltámos ao bar, divertimo-nos imenso e ficámos completamente bêbados», acrescenta Iommi na sua biografia.
A banda subiu ao palco do Estádio JFK, em Filadélfia, às 9h52, logo a seguir a Billy Ocean e imediatamente antes dos Run DMC. «Estava com uma ressaca terrível», disse Iommi. «Coloquei os meus óculos escuros e tocámos ‘Children of the Grave’, ‘Iron Man’ e ‘Paranoid’ sob a luz do sol. Foi uma coisa óptima de se fazer e nós certamente estávamos cientes da importância da ocasião, mas acabou muito rápido».
Foto que abre o artigo de Ann Clifford/DMI/The LIFE Picture Collection – Getty.

Um pensamento sobre “Black Sabbath Live Aid ’85”