Black Sabbath

Black Sabbath, O Restauro da Era Tony Martin

A reedição dos álbuns da segunda metade da década de 80 e dos primeiros anos da década de 90 – os álbuns IRS dos Black Sabbath – tem lugar em Maio de 2024. Foi o próprio Iommi a confirmar que discaços algo ostracizados como “The Eternal Idol” ou “Tyr” vão ser restaurados, para revelar toda a glórias de alguns dos melhores line-ups da história da banda britânica, quando nomes como Cozy Powell, Eric Singer ou Tony Martin refundaram a estética das lendas de Birmingham.

Sinceramente, esperávamos ter dado esta notícia mais cedo. Estávamos em Janeiro de 2022 e Tony Martinm no seu Facebook oficial, deixava entender que a era em que a sua voz foi a protagonista dos Black Sabbath ia ser alvo de restauro e reedição: «Então, recebi uma chamada do manager do Tony Iommi e parece que agora há um acordo discográfico para a minha era de álbuns nos Sabbath! Por isso, parece que uma reedição é algo que vai realmente acontecer».

Obviamente que as coisas não sucederam em 2022. Mas, em Novembro passado, Martin deu a entender que, ainda com adiamentos, as reedições permaneciam previstas e explicou os atrasos«A política em torno das bandas é uma coisa muito estranha, para começar. Os Black Sabbath nunca foram uma banda minha. Fui contratado para transportar o legado dos Black Sabbath, o que me senti honrado e privilegiado de fazer. Por isso, não tive, e continuo a não ter, qualquer palavra a dizer no que se passa. Eles vão relançar [registos da era Tony Martin]. Não faço ideia do que está a acontecer para lá disso. Sei que vai ser no próximo ano, mas é tudo o que sei».

Esta ignorância em relação aos mecanismos editorias da banda e ao seu centro de decisões, explica Martin, não é nenhuma novidade: «Na altura, passava-se o mesmo e nunca soube realmente nada. Tinha o meu próprio manager, o Tony [Iommi] tinha um manager, o Geezer Butler tinha um manager – era um pouco à Spinal Tap. Toda a gente tem o seu próprio manager. Falavas com o teu manager, depois ele telefonava ao manager de outra pessoa para ir ter com eles e depois voltava para mim. Por isso, era um pouco louco estar na banda. Muitas vezes lia nas entrelinhas para tentar ter uma ideia do que estava a acontecer, porque as perguntas directas simplesmente não funcionavam».

A confirmação agora chegada não é totalmente oficial, mas vindo de Iommi é como se já estivesse gravada na pedra. No seu Twitter, a propósito daquele que seria o 75º aniversário do extraordinário baterista Cozy Powell, no passado dia 29 de Dezembro de 2022, o guitarrista escreveu: «O Cozy Powell faria 75 anos, hoje. Estou ansioso para as edições dos álbuns IRS em 2023, uma homenagem à sua grande capacidade».

Por «álbuns IRS», Iommi refere-se aos álbuns da label norte-americana com quem o guitarrista assinou contrato em 1988. Portanto, os direitos editoriais dessa época são uma manta de retalhos. Por exemplo, a Universal possui os direitos de “Eternal Idol” e por isso essa é o único disco cantado por Tony Martin oficialmente disponível nos serviços de streaming. Depois, “Dehumanizer” (1992) pertence à Warner. Ainda que tenha sido editado pela IRS, com o regresso de Dio aos Black Sabbath, os direitos de distribuição foram cedidos à major label nos States, que tinha contrato com o lendário frontman.

Discos como “Headless Cross” (1989), “Tyr” (1990), “Cross Purposes” (1995) e “Forbidden” (1995) sempre pertenceram exclusivamente à IRS. Sucede que esta label se tornou parte do grupo Universal e assim estão abertas as vias para a uniformização das reedições. No fórum oficial dos Black Sabbath, está tudo muito bem detalhado.

Quanto a Tony Martin, o vocalista emprestou a voz aos Sabbath entre 1987 e 1991 e depois entre 1993 e 1997. Martin é o vocalista nos álbuns “The Eternal Idol”, “Headless Cross”, “Tyr”, “Cross Purposes” e “Forbidden”. A sua reedição é uma excelente notícia, pelo menos para nós aqui na ROMA INVERSA que consideramos os três primeiros dos referidos discos autênticas jóias ocultas. Particularmente “The Eternal Idol” e “Tyr”.

No primeiro, além de Iommi e Tony Martin, os Sabbath eram Bob Daisley (baixo), Geoff Nicholls (synths) e Eric Singer (bateria). Um line up de luxo, igualado por Iommi, Martin, Nicholls e Cozy Powell, com o baixista escocês Neil Murray. Além disso, até pela verdadeira inspiração dos riffs de Iommi aqui gravados, estes álbuns são criminalmente desprezados.

Ainda não existe uma data oficial, mas os rumores referem que a reedição destes discos será iniciada em Maio de 2024. Iommi já garantiu que, data confirmada ou não, o restauro desta era dos Black Sabbath vai mesmo ter lugar.

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