O rig de Paul Gilbert na digressão de WROC inclui amplificadores digitais Fender Tone Master Twin Reverb, alimentando novamente o debate entre equipamento analógico e modelação digital.
O guitarrista Paul Gilbert tornou-se o mais recente nome “de peso” a dar sinais de uma possível mudança dos amplificadores valvulados para soluções digitais. O virtuoso guitarrista partilhou no seu Instagram oficial uma série de fotografias do seu equipamento actual, onde um combo digital Fender Tone Master Twin Reverb surge em destaque ao lado do seu elaborado pedalboard de palco.
Dando de barato o uso dos Mini Spark da PositiveGrid, para warm-up, numa publicação, Paul Gilbert explica que utiliza duas unidades do Tone Master Twin Reverb: uma funciona como monitor em palco, enquanto a outra fica posicionada atrás de si para «abanar a sala». «Som clássico que transmite os meus pedais de forma alta, clara e cheia de WROC», escreveu o guitarrista, numa referência ao seu mais recente álbum (alvo de louvores na ROMA INVERSA).
A escolha representa uma alteração interessante nas preferências de equipamento do músico. Afinal, segundo a Guitar World, o recente disco foi gravado recorrendo a amplificadores valvulados, incluindo um Fender Custom Vibrolux Reverb dos anos 90 ligado a uma Randall Isolation Cabinet, além de um Victoria Club Deluxe utilizado como boost de volume durante os solos.
Apesar da crescente aceitação da modelação digital, durante muitos anos estes sistemas foram vistos com desconfiança por uma parte significativa da comunidade guitarrística. As críticas centravam-se sobretudo na resposta dinâmica, sensação ao toque e capacidade de reproduzir a compressão natural dos amplificadores valvulados clássicos. Contudo, a evolução tecnológica dos últimos anos alterou consideravelmente esse panorama, com marcas como Fender, Kemper, Fractal Audio, Neural DSP ou Line 6 a conquistarem espaço tanto em estúdio como em palco.
No caso de Paul Gilbert, a mudança chama particularmente a atenção devido à sua longa associação a setups tradicionais e ao seu enfoque obsessivo na resposta tonal da guitarra. Ao longo da carreira — desde os tempos dos Racer X e Mr. Big até aos seus projectos a solo — Paul Gilbert sempre demonstrou grande interesse por amplificadores clássicos, dinâmica de execução e nuances de ataque, factores normalmente associados ao universo analógico.
Ainda assim, os argumentos a favor do digital tornaram-se difíceis de ignorar para músicos em digressão. Peso reduzido, maior consistência sonora entre concertos, menor necessidade de manutenção e integração simplificada com sistemas modernos de palco são algumas das vantagens frequentemente apontadas. Para artistas que actuam regularmente em grandes palcos ou festivais, a questão práctica tornou-se quase tão importante quanto o som.
O próprio Fender Tone Master Twin Reverb utilizado por Paul Gilbert foi concebido precisamente para recriar o comportamento de um dos amplificadores mais icónicos da marca, mas com menor peso e maior fiabilidade. Embora utilize modelação digital, mantém muitos dos elementos estéticos e funcionais do Twin Reverb clássico, o que ajuda a explicar a sua popularidade crescente entre músicos profissionais.
Na verdade, apesar de muitos músicos serem frequentemente associados a um dos dois “campos”, a realidade é que nada impede a utilização combinada de ambas as abordagens — tirando partido da resposta dinâmica dos amplificadores valvulados e da consistência e praticidade dos sistemas digitais. Ainda assim, a publicação de Paul Gilbert levanta inevitavelmente a questão: estará o guitarrista a inclinar-se cada vez mais para o lado digital?
O eterno debate entre digital e analógico continua bem vivo no universo da guitarra e bastante longe de um consenso. No início deste ano, Lenny Kravitz afirmou que o equipamento digital «não soa da mesma forma» quando comparado com material vintage. Por outro lado, vários nomes da indústria têm vindo a adoptar modeladores digitais nos seus concertos. John Petrucci ou Alex Skolnick, por exemplo, já advogaram a causa. Também os Iron Maiden, cujo estética tende a evocar maior tradicionalismo, fizeram essa transição.
No ano passado, Chad Zaemisch, técnico de guitarra dos Metallica, explicou que a mudança da banda para sistemas digitais permitiu melhorar significativamente o design de palco e a experiência visual dos concertos. «Hoje em dia tudo gira em torno de conteúdo, e poucas pessoas querem ver uma banda parada em frente a uma parede de amplificadores sem mais nada a acontecer. Agora podemos utilizar grandes ecrãs de vídeo. Isso abre muito mais possibilidades para fazer coisas diferentes», afirmou Zaemisch.
Quanto a Paul Gilbert, a questão parece não ser tanto sobre estética de produção, mas de possibilidades sónicas. Já agora, para os mais obsessivos, a fotografia revela também várias unidades reconhecíveis, incluindo um MXR Stereo Chorus, um Jam Pedals RetroVibe e um overdrive JHS Moonshine V2.







