Uma lista das melhores guitarras eléctricas de 2025, sem esses modelos, mas marcada pelo anúncio estrondoso de Nuno Bettencourt e bem secundada por uma escolha eclética, mas com predominância de modelos mais dedicados ao shred, com algumas “assinaturas” pelo meio.
Há uma nova tendência no universo das guitarras em 2025: as marcas (e particularmente a Fender) viram na mão-de-obra barata da Indonésia uma forma de reduzir custos de produção e oferecer verões lite dos seus instrumentos. Isto redundou em duas grandes mais-valias de caras, nas novas ofertas Acoustasonic e no modelo mais económico de assinatura de Wolfgang Van Halen. Esta última é uma das poucas assinaturas que elegemos nas Melhores Guitarras de 2025.
A grande notícia do ano no mundo das guitarras ainda não deu frutos para eleger neste tipo de listas. A história da guitarra eléctrica moderna está intimamente ligada aos seus mestres e, por mais de três décadas, a velocidade alucinante e a complexidade rítmica de Nuno Bettencourt foram canalizadas quase exclusivamente através de um instrumento: a Washburn N4. Mas, numa mudança radical no mundo da guitarra, a lenda luso-descendente dos Extreme anunciou o lançamento da sua própria empresa, a Nuno Guitars, rompendo uma parceria de 35 anos para obter controlo criativo e corporativo total sobre as ferramentas do seu ofício.
Este empreendimento, a Nuno Guitars, é muito mais do que uma simples troca de patrocínio; representa o compromisso de Bettencourt com uma visão intransigente, assumindo o cargo de fundador e CEO para supervisionar pessoalmente a produção do que ele chama de seus «verdadeiros cavalos de batalha». Como o shredder disse sucintamente aos fãs: «Estava na hora de eu fazer isto».
O anúncio das Nuno Guitars confirma meses de especulação que começaram quando Bettencourt foi visto no palco — mais notavelmente durante o concerto “Back to the Beginning” de Ozzy Osbourne e dos Sabbath — a tocar uma guitarra suspeitosamente similar ao seu modelo exclusivo N4, mas sem o logótipo do fabricante. O mistério está agora resolvido: Nuno estava a testar o seu próprio protótipo.
Quanto às guitarras que elegemos, procurámos equilibrar coisas caras e limitadas com média gama e espectros mais económicos, sem abdicar de qualidade de som e performance. Eis as guitarras que foram lançadas em 2025 que mais gostámos…
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A Charvel lançou uma guitarra eléctrica S-style de alta performance pensada para quem gosta de instrumentos com ar vivido — como se tivesse sido resgatada de um edifício em demolição. Todavia, é muito, muito mais que um relic. A Super-Stock So-Cal Style 1 é uma edição limitada, com um acabamento Aged Arctic em nitrocelulose, tão desgastado que a pintura parece literalmente a descascar. À primeira vista pode lembrar a Henrik Danhage Signature Pro-Mod So-Cal Style 1, mas trata-se de um instrumento diferente.
Aqui temos um corpo em alder, amplamente exposto pelo relic agressivo. Na traseira, o desgaste lembra buckle rash clássico; à frente, o visual é ainda mais dramático — e funciona. O pickguard em tartaruga, o headstock estilo Strat licenciado e os speed knobs à la Gibson conferem-lhe uma estética claramente Frankenstein, mas com intenção. Em termos de electrónica, a Charvel não facilitou: DiMarzio Super Distortion na ponte; DiMarzio Dark Matter single-coil no meio; DiMarzio PAF Pro no braço. Tudo controlado por um switch de cinco posições, oferecendo cinco timbres fundamentais.
O braço aparafusado em maple, com acabamento acetinado, é reforçado com varas de grafite, tem 22 trastes jumbo e um raio composto de 12” a 16”, com bordas do braço arredondadas. Até os dot inlays surgem envelhecidos. A ponte é uma Floyd Rose 1000 Series de duplo bloqueio, acompanhada por afinadores die-cast Charvel. Há ainda pequenos detalhes nestas guitarras que contam: headstock pintado a condizer, com ligeiro checking, pickup bobbins em double crème, ajuste rápido do tensor via thumbwheel no heel, perfil de braço ultra-rápido e uma escala clássica de 25,5”.
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A Suhr PT Traditional 90 é o modelo signature do aclamado guitarrista Pete Thorn, desenhado para fundir a sonoridade clássica do estilo “S” com a performance e a estabilidade das guitarras modernas. A sua construção baseia-se em madeiras tradicionais, utilizando alder ou swamp ash no corpo, ambas as versões acabadas em Laca de Nitrocelulose levemente envelhecida para maximizar a ressonância e o toque vintage.
O braço é um destaque, sendo construído em Maple Birdseye Torrado 3A, um tratamento que lhe confere grande estabilidade e um visual premium. O perfil do braço é um 60’s Soft V que se transforma em “C”, otimizado para conforto em toda a escala, complementado por um raio composto e trastes Jumbo de Aço Inoxidável.
No que toca à electrónica, a guitarra foi concebida para versatilidade e clareza. Na posição do braço e do meio, utiliza single-coils Suhr V63, que oferecem o timbre brilhante e doce característico das guitarras vintage. O grande destaque reside no pickup da ponte, o PT90, um design exclusivo de Pete Thorn que se assemelha a um P-90, mas com uma sonoridade que entrega o punch e o volume de um humbucker, mantendo a clareza e o ataque de um single-coil. O essencial para manter este timbre cristalino e utilizável é o sistema activo de cancelamento de ruído Suhr SSCII, que elimina o zumbido dos single-coils sem colorir o som.
Finalmente, o hardware inclui um tremolo Suhr 2-Post e carrilhões com bloqueio, garantindo uma afinação estável e fiável. A PT Traditional 90 é, portanto, uma máquina de timbres que equilibra perfeitamente o calor do vintage com a fiabilidade do moderno.
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Lançada em 2025 e desenvolvida pela Ernie Ball Music Man com Cory Wong, a StingRay II é uma das propostas mais coerentes do ano no campo das guitarras de performance moderna. O corpo em alder é combinado com um braço aparafusado em maple torrado, acabamento a óleo e cera, 22 trastes em aço inoxidável e escala em rosewood ou maple, oferecendo resposta rápida, conforto e ataque definido.
A electrónica assenta numa configuração HH, com dois humbuckers Music Man HT Cory Wong, controlados por um selector de três posições, pensados para máxima clareza, dinâmica e equilíbrio, sobretudo em timbres limpos e ganho moderado. O hardware segue o padrão premium da marca, com tremolo Music Man Modern Classic, afinadores Schaller de bloqueio e construção irrepreensível. Visualmente inspirada no legado do StingRay Bass, mas longe de ser nostálgica, as StingRay II são guitarras funcionais e directas, feita para guitarristas que privilegiam precisão, articulação e fiabilidade.
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Kaizen pela Sterling By Music Man, a versão mais economicamente acessível da guitarra Ernie Ball Music Man, assinada por Tosin Abasi com um design futurista. Os músicos terão dificuldade em encontrar uma guitarra eléctrica com um visual mais moderno por menos de mil dólares. Estas guitarras têm os mesmos contornos das primeiras. Ok, não temos os humbuckers Heat Treated da Kaizen original. A Sterling By Music Man trocou esses pickups EBMM de alta qualidade por humbuckers cerâmicos de alta potência. O corpo é feito de nyatoh leve, em vez do alder do seu antecessor, e o instrumento – tanto o de seis como o de sete cordas – tem uma escala direita de 25,5 polegadas, em vez da construção multiescala do original.
Os braços são rosewood e têm um raio de 15,75 polegadas, em oposição ao Infinity Radius que se encontra na EBMM Kaizen. Mas, dada a diferença de preço – uma EBMM Kaizen custa uns impressionantes 3799 dólares –, a maçã não caiu muito longe da árvore. Esta forma, o tremolo flutuante Modern, a cabeça com cor combinada e os afinadores Steinberger sem engrenagens, o braço em maple torrado com junta esculpida de cinco parafusos, 24 trastes e marcadores de pontos brancos. Os pickups são controlados por botões de volume e tone, com um switch de três posições.
É mesmo uma Kaizen. «Precisávamos manter algumas coisas do modelo Music Man, porque são essenciais para a forma como a guitarra toca e se sente, e mudámos algumas coisas que achámos que seriam realmente benéficas», diz Abasi sobre as guitarras. Mais detalhes na Sterling By Music Man.
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A Fender partiu tudo com estas guitarras fabricadas na Indonésia, as Acoustasonic Standard. Desde a sua estreia em 2019, a linha Acoustasonic tem apresentado alguns dos produtos mais atraentes da Fender, afastando-se dos designs clássicos da marca, na sua maioria comprovados ao longo do tempo, com um projecto realmente inovador. Combinando elementos do design de guitarras eléctricas e acústicas, até agora, eram guitarras que pesavam no orçamento (cerca de dois mil dólares). As novas Acoustasonic Standard Telecaster e Acoustasonic Standard Jazzmaster custam apenas US$599,99 cada.
Os tampos são construído em sitka spruce e incorporam o patenteado Sistema de Ressonância de Instrumentos de Cordas (SIRS), que permite que o ar vibre de forma controlada dentro da cavidade, produzindo um som acústico rico e natural. O braço dos modelos segue o popular perfil Modern “C”. A verdadeira inovação reside na electrónica analógica projectada pela Fender e Fishman com controlos de volume e mistura, e três opções de acabamento em cada modelo: Black, Aged Natural e Honey Burst. A Fender Acoustasonic Standard Telecaster e a Jazzmaster equipam os músicos com um espectro versátil de tons acústicos e elétricos numa única ferramenta criativa.
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Sem dúvida, um dos maiores lançamentos (senão o maior) de guitarra de 2024 foi o da EVH SA-126 Special, a primeira guitarra exclusiva de Wolfgang Van Halen. Concebida como uma espécie de híbrido, a SA-126 é uma guitarra semi-acústica projectada para lidar com o alto ganho e a velocidade que se espera de alguém da família Van Halen, sem o temido feedback. Surgiu na faixa de preço médio, abaixo dos dois mil dólares, mas em 2025 a EVH revelou a SA-126 Standard, que coloca o modelo na categoria abaixo de mil paus. Trata-se de uma construção indonésia, reflectindo uma tendência mais ampla da indústria de recorrer a esse país para construções de gamas de preço baixo.
Em termos práticos, a Standard com escala de 24,75 polegadas mantém o corpo em mogno da Special, mas também utiliza mogno para o seu bloco central, em contraste com o bloco central em tília da Special. Tal como metade dos modelos Special, o Standard possui um tampo em maple (dois dos Specials eram adornados com tampos em maple quilt). Além das inscrustações e madeira – rosewood, em contraste com o ébano do Special – o braço é o mesmo: 22 trastes jumbo, com um raio composto de 12”-16”. O volante do truss rod também foi herdado das especificações do seu irmão mais velho.
Os sons são debitados por um par de humbuckers versáteis e potentes, projectados pelo guru Tim Shaw, controláveis por um par de botões de volume e tone cada, com um switch de três posições. Uma ponte T.O.M e um tailpiece stop-bar, botões de alça superdimensionados e cravelhas keystone completam a ficha técnica. Para mais informações sobre o novo modelo, visitem EVH Gear.
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Os novos modelos RGA Premium em 2025 (e há muito que a Ibanez não actualizava as RG) estão equipados com specs requintados. Com um corpo em basswood leve e tampos feitos de uma combinação de burlapoplar, maple, walnut, curly maple e panga panga, estas guitarras têm um aspecto verdadeiramente especial. Os braços aparafusados de cinco tiras de maple e walnut oferecem uma sensação de conforto ao tocar, são fabricados com o perfil Wizard da Ibanez, enquanto a escala em ébano (percorrida por 24 trastes jumbo) com inlays de pontos perlados em degrau offset acrescenta um toque extra de elegância.
As novas RGA Premium também vêm equipadas com humbuckers DiMarzio Fusion Edge, reforçados por um sistema de comutação dyna-MIX10. Este, com a ajuda de um switch Alter e um switch de cinco vias, dá acesso a uma enorme variedade de voicings diferentes.
Outras especificações encontradas em toda a gama incluem ponte fixa Gibraltar Standard III ou sistema Edge Tremolo. A ponte Gibraltar Standard III garante estabilidade, enquanto os afinadores Gotoh MG-T permitem uma afinação precisa. Existe também uma versão de 7 cordas com as mesmas especificações. As cores Cosmic Blue Burst e Deep Twilight Burst estão disponíveis. Os preços das RGA Premium começam nos $1.469. Mais detalhes em Ibanez Guitars.
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A Jackson Guitars apresentou um enorme alinhamento de novas guitarras eléctricas este ano. Os maiores destaques incluem uma gama alargada de modelos da Série X de edição limitada, uma nova colecção de Surfcasters da Série JS/X e novas adições à aclamada Série Pro-Plus. Vejamos cada uma destas bombas de shred…
«Construída para a velocidade e projectada para o domínio», a nova guitarra Pro Plus Pure Metal RR1A Rhoads Limited Edition da Jackson Guitars é a derradeira arma para qualquer shredder que se preze. As características são as que se esperam de uma guitarra com um preço bastante premium (€1.699): incluem um corpo em choupo de camada única, um braço em thru-maple de três peças reforçado a grafite, escala em ébano de raio composto com 24 trastes jumbo em aço inoxidável, juntamente com os icónicos inlays sharkfin da Jackson Guitars.
A RR1A também é alimentada por um humbucker Fishman Fluence Modern, que promete «sons capazes de esmagar ossos, desde limpezas imaculadas a distorção de derreter a cara». As características adicionais incluem um sistema de tremolo de bloqueio duplo Floyd Rose 1000 Series para uma estabilidade de afinação suprema, mesmo nas condições mais adversas, e um acabamento Gloss Black para uma diversão discreta.
Segue-se a Pro Plus Pure Metal Limited Edition Soloist SL1A, que também tem um corpo em choupo de camada única com um braço de três peças reforçado a grafite. A escala de ébano com raio composto e 24 trastes jumbo em aço inoxidável é «perfeita para solos intensos», diz a Jackson Guitars. Tal como a RR1A, a SL1A é acionada por um humbucker Fishman Fluence Modern. Também possui um sistema de tremolo de bloqueio duplo Floyd Rose 1000 Series. O preço da Soloist SL1A é de €1.599.
A edição limitada da Kelly KE1A, com um preço de €1.699, completa a série Pro Plus Pure Metal da Jackson. As principais caraterísticas desta beleza negra incluem um corpo em choupo de camada única, braço em três peças reforçado a grafite, escala em ébano de raio composto com 24 trastes jumbo em aço inoxidável com incrustações sharkfin, um humbucker Fishman Fluence Modern e um sistema de tremolo de bloqueio duplo Floyd Rose 1000 Series.
«Com a sua forma de corpo agressiva e a cabeça pontiaguda 6-in-line, a Kelly KE1A transmite a atitude da Jackson, construída para dominar o palco do metal e suportar os rigores de uma digressão incansável», descreve a Jackson Guitars..
